
Em mensagem publicada na rede Truth Social na manhã desta terça-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom de ameaça ao Irã e afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite". Às 21h, termina o prazo que o republicano deu ao governo iraniano para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam navios petroleiros.
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", escreveu Trump. Sem detalhar a situação, o republicano disse que "talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer" já que uma mudança de regime total e completa foi alcançada.
Embora tenha dado a entender que poderá atacar o território iraniano novamente, Trump não citou possíveis bombardeios ao Irã. No entanto, ele descreveu a noite desta terça como "um dos momentos mais importante da longa e complexa história do mundo". "47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!", encerrou.
Ataque ao Irã
Na segunda-feira (6), Trump já havia ameaçado invadir o Irã. Em entrevista coletiva na Casa Branca, o republicano afirmou que poderia tomar o país "em uma noite".
Veja a publicação
Tradução livre
Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!
Armas nucleares
Mais cedo, a Casa Branca desmentiu considerar o uso de armas nucleares no Irã após declarações do vice-presidente americano, JD Vance, em Budapeste. Vance disse, em visita oficial, que as forças americanas têm armas que "até agora não decidiram usar" contra o inimigo.
"Literalmente, nada do que o vice-presidente disse 'dá a entender' isso, seus palhaços", reagiu a Casa Branca no X, após comentários publicados em uma conta vinculada à ex-candidata democrata à Presidência, Kamala Harris.
Estreito de Ormuz
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou a resolução que previa o uso da força no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra com Israel e Estados Unidos.
Em reunião nesta terça-feira, China e Rússia vetaram a proposta, que previa que países pudessem usar todos os meios necessários para realizar a travessia. A França também havia se manifestado contra a medida anteriormente, mas acabou apoiando-a após negociações. Os três países fazem parte dos cinco membros permanentes do conselho e têm poder de veto sobre qualquer proposta em votação.
O conflito
No dia 28 de fevereiro, em ação coordenada com Israel, os Estados Unidos bombardearam áreas do Irã. A ofensiva atingiu regiões estratégicas do país, inclusive da capital Teerã. O ataque resultou nas mortes de autoridades importantes do Irã, entre eles o aiatolá Ali Khamenei – líder supremo do país.
Estados Unidos e Israel argumentam que a ofensiva teve como objetivo retaliar a expansão do projeto de armas nucleares do Irã. Em resposta, o governo iraniano atacou países vizinhos e destruiu bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
Em 8 de março, a Assembleia de Especialistas do Irã escolheu Mojtaba Khamenei, 56 anos, como o novo líder supremo do país. Ele sucedeu o pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto desde 1989. A posição representa a autoridade máxima do sistema político iraniano. A decisão marca uma mudança histórica no comando da República Islâmica. No mesmo dia em que Mojtaba foi escolhido, Trump afirmou que o próximo líder não iria "durar muito" se não tivesse a sua aprovação.
Já em 9 de março, o presidente norte-americano disse que a guerra contra o Irã estava "praticamente encerrada". O republicano argumentou que o país está enfraquecido e que sofreu grandes perdas estruturais.
Proposta de cessar-fogo
A publicação de Trump surge um dia após um acordo de cessar-fogo ser entregue aos Estados Unidos e ao Irã. A proposta teria sido elaborada pelo Paquistão.
No texto, havia previsão da reabertura do Estreito de Ormuz, um desejo dos Estados Unidos, e um acordo de cessar-fogo imediato enquanto os países negociariam os termos para a paz duradoura. Porém, a proposta foi rejeitada por autoridades dos EUA e do Irã.









