
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Irã aceitou entregar suas reservas de urânio enriquecido e que ambas as partes estão "perto" de alcançar um acordo de paz que ponha fim a seis semanas de conflito no Oriente Médio.
— Eles aceitaram nos devolver o "pó" nuclear — disse Trump a jornalistas na Casa Branca, em referência ao urânio enriquecido que, segundo os Estados Unidos, poderia ser usado para fabricar armas nucleares. A informação ainda não foi confirmada pelo Irã.
O Irã sustenta que seu programa atômico tem fins civis e, na quarta-feira (15), a chancelaria reiterou que ninguém pode "tirar" do país seu direito de usar a energia nuclear de forma pacífica, mas destacou que o nível de enriquecimento de urânio é "negociável".
Israel também aumentou a pressão e o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que, se o Irã rejeitar uma proposta de Washington para renunciar ao "armamento nuclear", seu país lançará ataques "ainda mais dolorosos".
— O Irã está em uma encruzilhada histórica: um caminho consiste em renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a proposta americana; o outro leva a um abismo — afirmou o ministro durante uma cerimônia.
— Se o regime iraniano escolher a segunda opção descobrirá muito rapidamente que Israel pode bombardear alvos ainda mais dolorosos do que os que já atingiu — acrescentou.
Em outra frente do conflito, Trump anunciou que Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de 10 dias a partir das 21h (18h de Brasília) desta quinta-feira e disse que convidou à Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun.
Posteriormente, o presidente americano anunciou que o encontro ocorrerá nos próximos "quatro ou cinco dias".
Por sua vez, o deputado do Hezbollah Ibrahim al Musawi declarou à AFP que seu grupo respeitará o cessar-fogo se Israel deixar de atacar o movimento xiita, aliado do Irã.
— Nós, no Hezbollah, aderiremos cautelosamente ao cessar-fogo, desde que haja uma interrupção total das hostilidades contra nós —disse o parlamentar.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que "acolhe com satisfação" o anúncio sobre um cessar-fogo. O Departamento de Estado afirmou que, no acordo para um cessar-fogo, o Líbano se comprometeu a interromper os ataques do Hezbollah.
O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
Com a mediação do Paquistão, Estados Unidos e Irã acordaram uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril e expira na próxima semana.
O influente chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, está no Irã e se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do país, que perdeu vários dirigentes na guerra, começando pelo líder supremo Ali Khamenei, no primeiro dia do conflito.
Paralelamente à diplomacia, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, havia ameaçado o Irã com bombardeios caso "tome uma má decisão" e prometeu manter bloqueados os portos iranianos "pelo tempo que for necessário".



