
As eleições no Peru começam neste domingo (12), em meio à expectativa de que o país consiga romper um ciclo de instabilidade política que, na última década, impediu oito presidentes de concluírem o mandato. O período recente foi marcado por escândalos de corrupção, aumento da criminalidade e crescente insatisfação da população.
Para tentar contornar a crise, os 27 milhões de eleitores terão que escolher um entre os 35 candidatos - número recorde em uma eleição presidencial.
As seções eleitorais iniciaram às 9h e seguem até as 19h, no horário de Brasília. Após o encerramento, terá início a contagem dos votos em cédulas de papel que medem quase meio metro (44 centímetros).
O que dizem as pesquisas
Pesquisas de opinião indicam uma leve vantagem da candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Ela aparece à frente de um grupo de adversários próximos, entre eles os ex-prefeitos de Lima Rafael López Aliaga, de perfil ultraconservador, e o empresário de mídia Ricardo Belmont, além do outsider Carlos Álvarez, ex-comediante.
Os três postulantes que aparecem atrás de Keiko Fujimori estão tecnicamente empatados, segundo a pesquisadora Urpi Torrado, da consultoria Datum Internacional.
O elevado número de eleitores indecisos faz com que os nomes que compõem o segundo pelotão das pesquisas "não possam ser ignorados", afirmou Nicolas Watson, da consultoria Teneo, ainda que eles registrem entre 4,5% e 6% das intenções de voto.
As pesquisas apontam que cerca de 13% do eleitorado segue indeciso.
Além disso, nenhum dos candidatos supera 15% das intenções de voto, o que torna provável a realização de um segundo turno em junho, segundo analistas.
Para parte dos especialistas, o cenário fragmentado reflete um enfraquecimento institucional mais amplo. O país já teve oito presidentes desde 2018, em meio a sucessivos casos de impeachment, prisões e renúncias.
Segundo o analista político Fernando Tuesta, a eleição pode representar uma inflexão nesse ciclo de instabilidade — ou a continuidade dele.



