
Assessor especial de Donald Trump para assuntos globais dos Estados Unidos, o italiano Paolo Zampolli causou polêmica ao classificar as mulheres brasileiras como "raça maldita" e afirmar que elas são "programadas" para causar confusão. As declarações foram feitas na quinta-feira (23) à RAI, emissora estatal italiana.
Zampolli foi casado por quase 20 anos com a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro. Uma de suas falas fez referência à ex-companheira, que foi deportada dos Estados Unidos em outubro de 2025 após ser detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE na sigla em inglês).
— As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo, certo? Não é que essa (Amanda) foi a primeira — declarou.
Na sequência da entrevista, o assessor de Trump é questionado se as mulheres brasileiras têm pré-disposição "genética" para causar confusão.
— Mulheres brasileiras são programadas — declarou Zampolli.
— Para extorquir? — perguntou o jornalista da RAI.
— Não, para causar confusão — concluiu o assessor.
"Raça maldita"
Em outro momento da entrevista, o repórter da RAI questiona Zampolli sobre uma amiga de sua ex-companheira.
— Quem é a amiga dela? — perguntou o repórter.
No entanto, ele não contextualizou sobre quem estava falando. Neste momento, o assessor de Trump subiu o tom e proferiu xingamentos às mulheres brasileiras. Em sua resposta, ele cita o nome Lidia, mas não detalha quem ela é.
— É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais. Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca — respondeu.
Casamento com brasileira
Amanda Ungaro casou com Paolo Zampolli quando tinha 19 anos, segundo a Folha de S.Paulo. Eles se conheceram em 2002, em uma boate em Nova York.
O italiano, que tinha 32 anos na época, era dono de uma agência de modelos e já mantinha amizade com Donald Trump.
Pedido de deportação
Zampolli teria denunciado para um funcionário do alto escalão do (ICE) que Amanda vivia ilegalmente no país, segundo o The New York Times. Pouco tempo depois, a brasileira, que chegou a ficar presa em Miami, foi deportada ao Brasil.
No entanto, o assessor italiano negou as acusações e afirmou ao jornal norte-americano que nunca realizou qualquer denúncia relacionada à Amanda para o ICE.
Ministério das Mulheres emite nota de repúdio
Segundo a pasta, as afirmações reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres do país, em afronta à dignidade e ao respeito.
"Misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão", diz o texto.
De acordo com o comunicado, o governo do Brasil reafirma seu compromisso com a promoção dos direitos das mulheres e com o enfrentamento de todas as formas de violência de gênero e raça, incluindo a misoginia.
A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, também publicou em suas redes sociais um repúdio à fala de Zampolli.
"As mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento. Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’, não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente" disse a primeira-dama.




