
Países do Oriente Médio relatam uma nova onda de ataques provenientes do Irã nesta terça-feira (7). Explosões foram ouvidas em Doha e Bagdá, capitais do Catar e do Iraque, respectivamente, segundo correspondentes da AFP. No Catar, quatro pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança.
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) declararam que sua força aérea estava respondendo a mísseis e drones iranianos.
"As defesas aéreas dos EAU estão atualmente enfrentando ataques de mísseis e drones originários do Irã", afirmou o Ministério da Defesa de Abu Dhabi em um comunicado.
Jornalistas da AFP em Doha ouviram diversas explosões horas antes do prazo final imposto pelos EUA para que o Irã aceitasse um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.
Da mesma forma, correspondentes da AFP ouviram até cinco explosões no centro de Bagdá, onde fica a embaixada dos EUA.
Escalada
O conflito no Oriente Médio escalou nesta terça-feira (7) após o presidente dos EUA, Donald Trump, publicar em sua rede social ameaças contra o povo iraniano. Segundo ele, "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada".
Por sua vez, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, garantiu que o país não ficaria de braços cruzados diante das declarações do líder dos EUA. Ele também disse que as falas de Trump "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio".
— O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais — disse ele.
Paquistão pede adiamento de prazo
Desde o dia 28 de fevereiro, marco do início da guerra no Oriente Médio, o Irã mantém o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% de todo o gás e petróleo do mundo. A ação afetou — e continua impactando — a cadeia econômica global, com o preço do barril de petróleo atingindo marcas históricas.
A ameaça de Trump da manhã desta terça-feira (7) foi realizada apenas 12 horas antes do prazo final para a reabertura de Ormuz. O prazo termina às 21h.
Já na tarde desta terça, em publicação no X, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que o presidente dos EUA adie o prazo final para as negociações de paz com o Irã por mais duas semanas. O Paquistão atua como mediador do conflito.
"Os esforços diplomáticos para resolver pacificamente a atual guerra no Oriente Médio estão em progresso estável, forte e com potencial para levar a resultados significativos no futuro. Pedimos a extensão do prazo para permitir que a diplomacia siga seu curso", escreveu Sharif.
Além dos EUA, o premiê paquistanês pediu que o Irã conceda a reabertura do Estreito de Ormuz pelo período correspondente de duas semanas como gesto de "boa fé" durante as negociações de paz.
"Também pedimos que todas as partes cumpram um cessar-fogo geral por duas semanas para permitir que a diplomacia termine a guerra completamente, no interesse da paz e estabilidade de longo prazo na região", acrescentou Shehbaz Sharif.



