
Na noite de sábado (25), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas pelo Serviço Secreto do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca. O incidente ocorreu no hotel Washington Hilton, na capital americana, após relatos de barulhos semelhantes a disparos de arma de fogo dentro do salão.
Além do presidente, o vice-presidente JD Vance e membros do gabinete foram escoltados para fora do local.
A seguir, confira o que se sabe sobre a tentativa de ataque até o momento.
Como foi
O jantar de imprensa já havia começado, segundo relatos da Agence France-Presse, quando se ouviu grande agitação nas portas do salão. Ao ouvirem gritos de ‘No chão! No chão!’, os presentes imediatamente se deitaram ou se ajoelharam debaixo das mesas, muitos deles levantando seus celulares para gravar.
Em um vídeo da AFP, é possível ver o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sentado à mesa de honra, junto, entre outros, com o vice-presidente, JD Vance, e sua porta-voz, Karoline Leavitt, quando barulhos abafados ressoam, inicialmente sem provocar reação. Trump afirmou, mais tarde, que pensou que era uma bandeja caindo, mas depois percebeu que eram tiros.
Agentes fortemente armados intervieram, então, com grande rapidez e levaram o presidente para a esquerda do palanque. A música ambiente parou, enquanto outros agentes pareciam apontar para o público.
O suspeito foi contido por agentes de segurança após ser interceptado nas imediações do hotel. Segundo autoridades, ele estava armado, e houve troca de tiros no momento da abordagem. Um agente do Serviço Secreto ficou ferido e foi encaminhado para atendimento médico. Segundo a polícia, o agressor portava duas armas de fogo e várias facas.
Em pronunciamento ainda na noite de sábado, Trump relatou que o suspeito passou pela segurança de forma muito rápida e começou os disparos. O republicano mencionou que ele possuía várias armas.
O jantar havia começado pouco antes, com um discurso da correspondente sênior da CBS News na Casa Branca, Waijia Jiang. Era esperado também um discurso de Trump.
O suspeito
O homem suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos. Segundo a imprensa norte-americana, ele é morador de Torrance, na Califórnia, e se descreve em uma rede social como “engenheiro mecânico e cientista da computação por formação, desenvolvedor independente de jogos por experiência e professor por vocação”.
Ele estaria hospedado no próprio hotel em que o evento ocorreu. Ainda na noite de sábado, o apartamento onde o suspeito mora foi revistado pela polícia.
Em pronunciamento, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o atirador é um “solitário” e “uma pessoa muito doente”.
Allen foi encaminhado a um hospital e deve responder por crimes envolvendo uso de arma de fogo e agressão a agente federal.
O suspeito comparecerá à Justiça na segunda-feira (27). Ele será acusado de dois crimes: o primeiro, por uso de arma de fogo durante um crime violento; e o segundo, por agressão a um agente federal com arma perigosa, de acordo com as autoridades.
Agente baleado estava de colete
Trump também informou que o agente baleado estava de colete à prova de balas. O presidente referiu que conversou com o profissional e que está bem, "é um agente do serviço secreto que ama o que faz", completou.
Donald Trump afirmou que o prédio onde estava ocorrendo o jantar "não é especialmente seguro" e utilizou o incidente para justificar a construção de um novo salão de bailes, na Casa Branca.
Motivação política
A apuração inicial indica que ele pode ter agido sozinho. O caso é investigado pelo Federal Bureau of Investigation, que busca esclarecer as circunstâncias e a motivação do ataque.
Uma informação “muito preliminar” levou os investigadores a acreditar que o homem “tinha como alvo membros do governo”, declarou o procurador-geral interino, Todd Blanche, à emissora CBS.
O suspeito, que se acredita ter viajado de Los Angeles para Washington de trem, passando por Chicago, “não está cooperando ativamente” com a investigação, acrescentou.
Allen teria enviado mensagens a familiares minutos antes do ataque, nas quais se referiu a si mesmo como um “assassino do governo” e criticou a administração de Donald Trump. Com isso, autoridades locais consideram a hipótese de que as motivações para os disparos tenham sido políticas.
Jantar dos Correspondentes
O Jantar dos Correspondentes é um dos eventos mais tradicionais de Washington, reunindo a cúpula do governo, jornalistas e celebridades. Esta era a primeira participação de Donald Trump no evento durante seu atual mandato.
Cerca de 30 minutos após o incidente, a jornalista Weijia Jiang, presidente do evento, anunciou que o jantar seria remarcado para outra data.
Alto escalão
As autoridades policiais e o Serviço Secreto isolaram a área externa do hotel. Unidades da Guarda Nacional foram posicionadas no interior do edifício para garantir a segurança dos demais presentes.
Entre os presentes estavam Scott Bessent, secretário do Tesouro; Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional; Sean Duffy, secretário de Transportes; Karoline Leavitt, secretária de imprensa; Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca; e Kash Patel, diretor do FBI.
Trump
Donald Trump disse em sua rede social, a Truth, que o “Serviço Secreto e as forças de segurança fizeram um trabalho fantástico” ao retirá-lo do salão.
“Foi uma noite e tanto em Washington. O Serviço Secreto e as forças de segurança fizeram um trabalho fantástico. Agiram com rapidez e coragem”, escreveu Trump. “O atirador foi detido, e eu recomendei que ‘deixem o show continuar’, mas serei totalmente orientado pelas forças de segurança. Eles tomarão uma decisão em breve. Independentemente dessa decisão, a noite será bem diferente do que estava planejado, e nós simplesmente vamos ter que fazer isso de novo”, completou.
Em pronunciamento aos jornalistas logo após o incidente, Trump afirmou que prefere não pensar em como a arma foi levada até o hotel e que tenta não pensar no que aconteceu. Disse que faz tudo pelo país, assim como a primeira-dama.
— Mudamos esse país, e muitas pessoas não gostam disso — afirmou.
O presidente voltou a agradecer a rápida e eficaz atuação do Serviço Secreto. Ele relatou que “foi bonito ver”.
Não foi a primeira vez
Donald Trump foi alvo de uma tentativa de assassinato durante um comício eleitoral em Butler, na Pensilvânia, em 2024. Alguns meses depois, outro homem foi detido após um agente do Serviço Secreto ver o cano de um fuzil saindo de arbustos no perímetro de um campo de golfe em West Palm Beach, onde Trump estava jogando.




