
O Irã anunciou nesta quarta-feira (8) que voltou a fechar o Estreito de Ormuz para o trânsito de navios comerciais, segundo a agência Fars. O motivo seriam as "violações de Israel ao cessar-fogo".
Teerã também ameaçou romper o cessar-fogo com os Estados Unidos se Israel não parar de bombardear o Líbano. As informações são de agências estatais iranianas.
Em entrevista a emissora de TV americana PBS, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que "todos sabem" que o confronto de Israel com o grupo Hezbollah não faz parte do acordo de cessar-fogo com o Irã.
— Por causa do Hezbollah, nós não incluímos o Líbano no cessar-fogo, e o Irã sabe disso — disse Trump na entrevista.
Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o cessar-fogo com os Estados Unidos foi rompido dentro do território iraniano, já que duas ilhas do país, Lavan e Siri, foram bombardeadas.
Denúncias de violação
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmou nesta quarta que há denúncias de violações do cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos. "Houve violações do cessar-fogo em algumas partes da zona de conflito, o que mina o espírito do processo de paz", disse Sharif, que atuou como mediador para alcançar a cessação das hostilidades.
"Exorto, de forma séria e sincera, todas as partes a exercerem moderação e respeitarem o cessar-fogo de duas semanas, conforme acordado, para que a diplomacia possa desempenhar um papel fundamental na resolução pacífica do conflito", afirmou.
Ataques no Líbano
O exército israelense confirmou que realizou novos ataques no sul do Líbano nesta quarta-feira e renovou as ordens de evacuação para a população da região. O país declarou que o Líbano não está incluído no cessar-fogo com o Irã, patrocinador do Hezbollah.
Os bombardeios ocorreram quando o grupo armado Hezbollah, que arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio ao atacar Israel em 2 de março, afirmou estar perto de uma "vitória histórica".
O Hezbollah não reivindicou nenhuma operação contra Israel desde a 1h (22h de terça-feira no horário de Brasília), coincidindo com o anúncio de trégua entre Estados Unidos e Irã. Pouco depois das explosões na capital libanesa, o exército israelense anunciou ter atacado uma centena de alvos do Hezbollah em todo o Líbano e afirma que se tratou do "maior ataque coordenado" contra o movimento pró-iraniano desde o início da guerra americano-israelense contra o Irã, em 28 de fevereiro.
"Em um intervalo de 10 minutos e simultaneamente em várias zonas, (as forças israelenses atacaram) uma centena de postos de comando e infraestruturas militares (do movimento islamista libanês em todo o país)", indicou um comunicado militar israelense.
Ataques a Kuwait e países do Golfo
O Kuwait também afirmou ter sofrido "intensa onda de ataques" do Irã. Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira, também foram registrados ataques nos Emirados Árabes Unidos, no Catar, no Iraque e no Bahrein.
As forças armadas kuwaitianas compartilharam no X uma publicação afirmando terem recebido "uma intensa onda de ataques iranianos, enfrentando 28 drones dirigidos ao Estado do Kuwait". Segundo o exército do Kuwait, os ataques causaram "danos materiais significativos" em instalações petrolíferas, usinas elétricas e centros de dessalinização de água.
Equipes dos Emirados Árabes Unidos também se manifestaram dizendo que suas defesas aéreas estão lidando com mísseis e drones procedentes do Irã.
