
O alívio global com o cessar-fogo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã durou poucas horas. Na manhã desta quarta-feira (8), o governo iraniano disse ter fechado o Estreito de Ormuz, alegando que Israel teria violado o acordo ao atacar o Líbano.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ainda disse que o cessar-fogo foi rompido dentro do território do país, após o registro de bombardeios contra duas ilhas. O governante não mencionou de onde teriam partido os ataques.
Americanos e iranianos ainda divergiram sobre o plano de 10 pontos que abriu caminho para o acordo. A Casa Branca afirmou que o documento ao qual a imprensa se refere não é o analisado pelos EUA e que o país não irá negociá-lo publicamente. Já o Irã disse que a trégua no Líbano faz parte das condições fundamentais apresentadas no plano.
Apesar das incertezas, o petróleo operou cotado abaixo dos US$ 100 durante o dia. No Brasil, o dólar chegou ao menor valor em dois anos.
Veja o que de mais importante aconteceu durante o dia no Oriente Médio:
Navios cruzam o estreito
A manhã começou com a notícia de que dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz, abrindo os caminhos para o fluxo de cargas na região. De 1º de março a 7 de abril, apenas 307 embarcações haviam passado pelo estreito, uma queda de 95% em comparação com o período anterior ao conflito, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo.
Ataques de Israel
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o exército realizou um ataque surpresa contra centenas de membros do Hezbollah em todo o Líbano. Um balanço preliminar divulgado por autoridades libanesas registrou 182 mortos e 890 feridos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, denunciou "violações do cessar-fogo" por parte de Israel. A Organização das Nações Unidas condenou "veementemente" os ataques israelenses no Líbano.
O Paquistão, mediador do cessar-fogo, pediu "moderação" após os bombardeios israelenses e os ataques do Irã a vários países do Golfo Pérsico.
Fechamento do estreito
Com a denúncia contra Israel, o Irã voltou a fechar a passagem de Ormuz para navios comerciais. Teerã também ameaçou romper o cessar-fogo com os Estados Unidos se Israel não parar de bombardear o Líbano. A Guarda Revolucionária do Irã alertou que poderá retaliar caso Israel não cesse os bombardeios no Líbano.
Nesta quarta-feira, Donald Trump afirmou à rede PBS que o conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano não foi incluído no acordo de cessar-fogo temporário entre Washington e Teerã.
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o cessar-fogo entre Washington e Teerã não marca "o fim da campanha contra o Irã" e que Israel permanece preparado para retomar os combates "a qualquer momento".
Reflexos econômicos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 50% a todos os países que fornecem armas ao Irã. O americano também afirmou que seu governo está "negociando o alívio de tarifas e sanções com o Irã", horas depois de anunciar um cessar-fogo.
Mesmo com as incertezas do dia, os preços do petróleo e do gás registram baixas pronunciadas na abertura dos mercados. As bolsas tiveram forte alta, e o dólar entrou em queda — cotado a R$ 5,103, menor valor desde maio de 2024 no Brasil.
Brasil se manifesta
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil saudou o cessar-fogo no conflito. No entanto, em nota divulgada nesta quarta, o Itamaraty cobrou uma solução que também inclua o Líbano. No texto, o governo federal também "conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica".


