Um disparo do Exército israelense e um explosivo do Hezbollah mataram três capacetes azuis indonésios no Líbano em dois incidentes no final de março, segundo uma investigação preliminar da ONU.
"Pedimos às partes envolvidas que esses casos sejam objeto de investigações e processos judiciais por parte das autoridades nacionais, a fim de levar os responsáveis à justiça (...) pelos crimes", declarou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, ao apresentar os resultados da investigação à imprensa.
Um capacete azul da Força Provisória das Nações Unidas no Líbano (Fpnul) morreu e outro ficou gravemente ferido em 29 de março por um projétil perto de Adchit Al Qusayr, onde havia confrontos entre Israel e o Hezbollah, movimento apoiado pelo Irã.
No dia seguinte, dois soldados da mesma força morreram devido a uma explosão que destruiu seu veículo perto de Bani Hayyan. Um terceiro ficou gravemente ferido no mesmo ataque.
A investigação da ONU sobre o primeiro caso indica que "o projétil era um obus de 120 mm, disparado por um tanque Merkava das Forças de Defesa de Israel a partir do leste", explicou Dujarric.
O porta-voz destacou que, "com o objetivo de mitigar os riscos para o pessoal das Nações Unidas", a Fpnul havia "comunicado às Forças de Defesa de Israel as coordenadas de todas as suas posições e instalações" em duas ocasiões anteriores ao incidente.
A explosão de 30 de março foi provocada por um artefato explosivo improvisado, prosseguiu o porta-voz.
"A investigação estima que, levando em conta o local do incidente, a natureza da explosão e o contexto atual, é muito provável que esse artefato tenha sido colocado pelo Hezbollah", acrescentou.
"Os ataques contra os capacetes azuis das Nações Unidas podem constituir crimes de guerra (...) Deve ser respeitada a inviolabilidade das instalações das Nações Unidas", ressaltou Dujarric.
A Fpnul foi criada em 1978 para supervisionar a retirada de Israel do Líbano.
Essa força, que conta com cerca de 8.200 soldados provenientes de 47 países, está na mira de Israel e do Hezbollah.
* AFP



