
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu os bombardeios contra Irã por duas semanas a partir desta terça-feira (7). O cessar-fogo, que foi confirmado pelo governo iraniano, inclui a reabertura do Estreito de Ormuz.
"Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um Acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio", afirmou Trump na rede social Truth Social.
O presidente dos EUA condicionou a pausa no conflito à "abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz". Em nota publicada 40 minutos após o anúncio de Trump, o primeiro-ministro do Irã Seyed Abbas Araghchi garantiu a reabertura da passagem:
"Por um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração das limitações técnicas".
Desde 28 de fevereiro, marco do início da guerra no Oriente Médio, o Irã mantém o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% de todo o gás e petróleo do mundo. A ação afetou — e continua impactando — a cadeia econômica global, com o preço do barril de petróleo atingindo marcas históricas.
O acordo ocorre após Trump elevar as ameaças ao Irã. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", escreveu o norte-americano nas redes sociais na manhã desta terça-feira.
Paquistão atua como mediador
Segundo Trump, a trégua foi decidida após negociações com representantes do Paquistão, que atua como mediador do conflito.
"Com base nas conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão", que solicitaram aos EUA "que suspendessem o envio de forças destrutivas ao Irã".
Mais cedo, em publicação no X, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que o presidente dos EUA adiasse o prazo final para as negociações de paz com o Irã por mais duas semanas — o ultimato era às 21h desta terça.
"Também pedimos que todas as partes cumpram um cessar-fogo geral por duas semanas para permitir que a diplomacia termine a guerra completamente, no interesse da paz e estabilidade de longo prazo na região", acrescentou Shehbaz Sharif.
Leia a íntegra do comunicado de Trump
"Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um Acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o Acordo seja finalizado e consolidado. Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma solução. Agradeço a sua atenção a este assunto! Presidente DONALD J. TRUMP", escreveu.
Leia a nota do primeiro-ministro do Irã
"Em nome da República Islâmica do Irã, expresso gratidão e apreço aos meus queridos irmãos, Sua Excelência o Primeiro-Ministro do Paquistão Sharif e Sua Excelência o Marechal de Campo Munir, por seus incansáveis esforços para encerrar a guerra na região.
Em resposta ao pedido fraterno do primeiro-ministro Sharif em seu tweet, e considerando o pedido dos Estados Unidos por negociações com base em sua proposta de 15 pontos, bem como o anúncio do Presidente dos EUA sobre a aceitação do quadro geral da proposta de 10 pontos do Irã como base para negociações, declaro, em nome do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã:
Se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas poderosas Forças Armadas cessarão suas operações defensivas.
Por um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração das limitações técnicas."
Início do conflito
No dia 28 de fevereiro, em ação coordenada com Israel, os Estados Unidos bombardearam áreas do Irã. A ofensiva atingiu regiões estratégicas do país, inclusive da capital Teerã. O ataque resultou nas mortes de autoridades importantes do Irã, entre eles o aiatolá Ali Khamenei – líder supremo do país.
Estados Unidos e Israel argumentam que a ofensiva teve como objetivo retaliar a expansão do projeto de armas nucleares do Irã. Em resposta, o governo iraniano atacou países vizinhos e destruiu bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
No dia 8 de março, a Assembleia de Especialistas do Irã escolheu Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país. Ele sucede o pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto desde 1989. A posição representa a autoridade máxima do sistema político iraniano. A decisão marca uma mudança histórica no comando da República Islâmica.
Já em 9 de março, o presidente norte-americano disse que a guerra contra o Irã está "praticamente encerrada". O republicano argumentou que o Irã está enfraquecido e que sofreu grandes perdas estruturais.
No dia 1º de abril, em pronunciamento oficial televisionado, o presidente dos Estados Unidos afirmou que os EUA atingiram quase todos os objetivos:
— Os objetivos estratégicos estão quase completos.
No mesmo pronunciamento, ao referir-se ao Irã, Trump disse que "eles estão dizimados, tanto militar quanto civilmente".
— Os Estados Unidos quase não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz e não importarão no futuro. Não precisamos. Derrotamos e dizimamos completamente o Irã. Eles estão dizimados, tanto militar quanto civilmente — completou.


