
A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã chegou ao sétimo dia nesta sexta-feira (6), com diferentes repercussões no mundo. Enquanto as forças israelenses intensificaram os ataques contra Teerã, Donald Trump cobrou uma "rendição incondicional" do país islâmico para dar fim ao confronto.
No Líbano, prosseguem os bombardeios promovidos por Israel. O Irã, por sua vez, diz atacar bases americanas no Oriente Médio.
Os reflexos também se espalham para outras regiões do mundo, com impactos diplomáticos e econômicos, com a preocupação referente à alta do petróleo.
Teerã, Irã
Nesta sexta, o exército israelense anunciou ter atacado o bunker que era usado pelo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto no primeiro dia de ataques. O aiatolá morreu "antes de poder utilizar o bunker" durante os bombardeios, "mas o complexo continuou sendo utilizado por altos responsáveis do regime iraniano", disse a nota do exército.
Cerca de 50 caças participaram dos bombardeios contra a rede subterrânea que se estende sob "numerosas ruas no centro de Teerã".
Moradores de Teerã relataram à rede britânica BBC que os bombardeios desta sexta foram os mais intensos desde o início da guerra. O Irã fala que mais de 1,2 mil pessoas foram mortas desde sábado (28), número não confirmado por fontes independentes.
Durante a tarde, ouviram-se novas e potentes explosões no leste de Teerã. Espessas colunas de fumaça preta tomaram o céu da capital, constataram jornalistas da AFP.
— A cidade esvaziou, muita gente foi embora. Ouvem-se explosões pelo menos cinco ou seis vezes por dia — disse à AFP Robert, 60 anos, um empresário iraniano que fugiu para a Armênia.
Durante o dia, na primeira sexta-feira de oração desde a morte do aiatolá Ali Khamenei, multidões de homens e mulheres vestindo preto saíram às ruas, alguns com bandeiras iranianas, outros com retratos do líder supremo.

Tel Aviv, Israel
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou que disparou uma nova salva de projéteis contra Tel Aviv. Jornalistas da AFP ouviram oito explosões durante a manhã na cidade israelense. Os serviços de emergência não relataram vítimas.
O exército de Israel afirmou que o Irã lançou bombas de fragmentação "em múltiplas ocasiões" desde o início da guerra, informou o tenente-coronel Nadav Shoshani, porta-voz militar, durante uma coletiva de imprensa. As bombas de fragmentação explodem no ar e dispersam submunições. Algumas podem não explodir no momento do impacto e causar vítimas posteriormente.
Os militares israelenses não deram detalhes sobre quando e onde essas bombas foram lançadas. Devido às normas de censura militar em vigor em Israel, os locais de impacto costumam permanecer fechados ao público — incluindo jornalistas — até que sejam liberados dos restos de mísseis iranianos e de artefatos não detonados.
Beirute, Líbano
Os bombardeios israelenses prosseguiram no Líbano, direcionados contra infraestruturas do Hezbollah, aliado ao governo iraniano. Moradores de subúrbios ao sul de Beirute fugiram da região.
Segundo a AFP, prédios destruídos e corpos carbonizados tomam as ruas da região. O Ministério da Saúde libanês afirma que pelo menos 123 pessoas morreram e 683 ficaram feridas desde segunda-feira. Mais de 100 mil pessoas tiveram que sair de casa no país.
Um posto da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) foi alvo de um ataque no sul do país. A ofensiva deixou capacetes azuis de Gana feridos, segundo um veículo estatal libanês.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) declarou a crise no Oriente Médio como uma "grande emergência humanitária".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o que chamou de "ataques ilegais" no Oriente Médio e advertiu que a situação pode "sair de controle":
— É hora de parar os combates e iniciar negociações diplomáticas sérias.

Golfo Pérsico
O exército do Irã anunciou ter atacado bases dos Estados Unidos no Kuwait nesta sexta. Os iranianos utilizaram drones e prometeram aumentar a pressão contra instalações americanas no Golfo Pérsico.
Os Estados Unidos negaram que o porta-aviões Abraham Lincoln, um dos dois navios de guerra posicionados no golfo, tenha sido atingido pelo ataque iraniano.
Países como Arábia Saudita, Catar e Barein disseram ter interceptado mísseis em seus espaços aéreos. No Iraque, explosões foram ouvidas na cidade de Erbil, que abriga uma base americana.
Além disso, a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter atacado sistemas de radar americanos nos Emirados Árabes Unidos, na Jordânia e no Catar.
Washington, EUA
O presidente dos Estados Unidos afirmou nesta sexta que não buscará nenhum acordo com o Irã. Donald Trump disse esperar que o regime dos aiatolás se renda para dar fim à guerra.
"Não haverá nenhum acordo com o Irã, exceto a RENDIÇÃO INCONDICIONAL!", escreveu Trump em uma rede social.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que os ataques americanos contra o Irã estavam "próximos de aumentar drasticamente".
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian falou que alguns países começaram a se mobilizar para tentar mediar e pôr fim à guerra.
"Sejamos claros: estamos comprometidos com uma paz duradoura na região, mas não hesitaremos em defender a dignidade e a soberania de nossa nação", disse Pezeshkian na rede social X.
Pezeshkian ainda advertiu que esses esforços devem se dirigir a quem iniciou as hostilidades.

Europa
Para países europeus, as preocupações se concentram nos reflexos econômicos da guerra. O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, tentou acalmar os receios de uma crise global do petróleo, após a alta dos preços provocada pela guerra.
— Há muito petróleo no mercado — disse a jornalistas em Bruxelas, na Bélgica.
A empresa de navegação dinamarquesa Maersk anunciou a suspensão de duas rotas, uma entre a Europa e o Oriente Médio e outra entre o Oriente Médio e o Extremo Oriente, devido à guerra.
Na Espanha, após ser criticado por Trump por não ceder bases aos EUA, o primeiro-ministro Pedro Sánchez voltou a criticar a guerra.
— Esta guerra no Irã, na minha opinião, na opinião do governo espanhol, é um erro assombroso pelo qual pagaremos — declarou.
Sánchez defendeu que a "cooperação leal" deve prevalecer sobre o "confronto" na relação com os Estados Unidos.
O presidente russo, Vladimir Putin, expressou nesta sexta seu apoio a um cessar-fogo "imediato" no Irã durante uma ligação telefônica com seu par iraniano, Masoud Pezeshkian, informou o Kremlin.




