
A Assembleia de Especialistas do Irã escolheu neste domingo (8) Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país, segundo informou a imprensa estatal. Ele sucede o pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto desde 1989. A posição representa a autoridade máxima do sistema político iraniano. A decisão marca uma mudança histórica no comando da República Islâmica.
Responsável por eleger o líder supremo, a Assembleia de Especialistas reúne 88 clérigos islâmicos. A última vez que o órgão precisou tomar essa decisão foi há mais de três décadas, após a morte do então líder Ruhollah Khomeini. No modelo político do Irã, dominado pela vertente xiita do Islã, religião e poder estatal estão diretamente ligados. O líder supremo exerce grande influência sobre as principais decisões do país.
Quem é Mojtaba Khamenei
Mojtaba, apesar de ostentar o título de aiatolá, é considerado um clérigo de nível intermediário. Ainda assim, figura entre os nomes mais influentes da ordem clerical do Irã.
Conhecido por sua postura linha-dura, ele mantém laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã, considerada a força político-militar mais poderosa do país e um pilar central na defesa do regime.
Segundo a imprensa iraniana, Mojtaba perdeu grande parte da família nos bombardeios do dia 28 de fevereiro: além do pai, também morreram sua mãe, sua esposa e um filho pequeno.
Mojtaba é há anos considerado um dos principais candidatos a suceder o pai, mas o fato de ser filho do antecessor pesa contra ele. A passagem de poder de pai para filho não é bem vista dentro da corrente xiita do Islã, o que torna sua ascensão potencialmente controversa.
Apesar disso, ele construiu grande influência nos bastidores, especialmente dentro do gabinete do pai, onde teria participado da coordenação de operações militares e de inteligência. Também é conhecido por ministrar aulas em seminários xiitas, atividade que consolidou sua posição dentro da hierarquia religiosa do Irã.
Segundo o jornal The New York Times, Mojtaba é discreto e raramente aparece em público. Pouco se sabe sobre suas posições políticas ou estilo de liderança fora do núcleo mais próximo do regime. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que sua escolha sinaliza continuidade do sistema político iraniano, em um momento de forte pressão externa e escalada militar na região.
Mesmo assim, sua ascensão pode gerar controvérsia dentro e fora do país, já que a Revolução Islâmica de 1979 derrubou uma monarquia e prometia evitar a transmissão hereditária de poder. Mojtaba também é associado a acusações de participação indireta na repressão a protestos, especialmente durante o chamado Movimento Verde de 2009, quando manifestações contestaram a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad. Críticos afirmam que forças ligadas ao regime, incluindo milícias paramilitares, atuaram para conter os protestos.



