
Mojtaba Khamenei foi anunciado neste domingo (8) como novo líder supremo do Irã, sucedendo o pai, Ali Khamenei — morto em bombardeio de Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, no início da ofensiva contra o país. Mojtaba foi escolhido pela Assembleia de Peritos, ou Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição.
Em uma longa declaração, a assembleia afirmou que a nomeação ocorreu "após estudos cuidadosos e extensos".
➡️ O líder supremo é o chefe de Estado no Irã. O cargo representa o posto de maior influência política e religiosa, tendo controle direto ou indireto sobre todos os assuntos do país — da política externa à segurança interna (leia mais abaixo).
Antes mesmo da confirmação do nome de Mojtaba, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo que o próximo líder supremo do Irã "não vai durar muito" se Teerã não obtiver sua aprovação.
— Ele vai ter que obter nossa aprovação. Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito — disse Trump ao canal ABC News.
O que faz o líder supremo
O líder supremo é a autoridade máxima e chefe de Estado do Irã. O cargo é vitalício e representa o posto de maior influência política e religiosa, detendo controle direto ou indireto sobre todos os assuntos do país — da política externa à segurança interna.
O ocupante deste cargo é responsável por nomear os comandantes das forças armadas e da Guarda Revolucionária (unidade de elite encarregada de defender o regime interna e externamente), além de indicar os membros do Conselho Supremo de Segurança Nacional e a chefia do Poder Judiciário.
A constituição define ainda que cabe ao líder supremo declarar guerra ou paz, bem como mobilizar as tropas.
Quem foi Ali Khamenei
O aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, tinha 86 anos e governava o Irã desde 1989, sucedendo o fundador da república islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Ao longo de décadas, reprimiu brutalmente uma série de protestos, como a mobilização estudantil de 1999, as manifestações em massa desencadeadas em 2009 por eleições presidenciais controversas e uma onda de contestação em 2019.
Filho de um imã, nasceu em uma família pobre. O ativismo político contra o xá Reza Pahlavi, apoiado pelos Estados Unidos, fez com que passasse grande parte das décadas de 1960 e 1970 na prisão.
A lealdade a Khomeini foi recompensada em 1980, quando lhe foi confiada a importante tarefa de dirigir as orações de sexta-feira em Teerã. Eleito presidente um ano depois, após o assassinato de Mohammad Ali Rajai, inicialmente não era considerado o sucessor natural de seu mentor.
No entanto, pouco antes de sua morte, Khomeini destituiu o favorito, o aiatolá Hossein Montazeri, que havia denunciado as execuções em massa de membros do grupo Mujahedin do Povo e outros dissidentes.
Os Mujahedin do Povo foram aliados da revolução, mas atualmente estão proibidos no país. A essa organização é atribuído o assassinato de Rajai.
Após a morte de Khomeini, Khamenei inicialmente rejeitou, em um episódio que se tornou famoso, sua designação como líder pela Assembleia dos Peritos, antes que os religiosos se levantassem para ratificar sua nomeação.
Desde então, seu controle sobre o poder nunca diminuiu e, pelo contrário, reforçou a ideologia radical do sistema, incluindo o confronto com o "Grande Satã" americano e a recusa em reconhecer a existência de Israel.
Khamenei trabalhou com seis presidentes eleitos, um cargo muito menos poderoso que o de líder supremo. Embora em alguns casos lhes tenha sido permitido tentar realizar reformas cautelosas e uma aproximação com o Ocidente, no final Khamenei sempre se colocou ao lado dos partidários da linha dura.
Acredita-se que tenha tido seis filhos, embora apenas um, Mojtaba, tenha relevância pública.

