Policiais e militares do Equador detiveram mais de 250 pessoas, a maioria por violar um toque de recolher noturno imposto por duas semanas em meio a uma ofensiva antidrogas com apoio dos Estados Unidos, informou nesta segunda-feira (16) o Ministério do Interior.
As operações são realizadas nas províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro, as mais afetadas pela violência de organizações dedicadas ao narcotráfico, extorsão e assassinatos por encomenda.
O primeiro dia de operações deixou 253 detidos, "principalmente [por] violação do toque de recolher, porte de armas" e a destruição de três "alvos militares", como depósitos de armamento, indicou a pasta.
Também foi efetuada a prisão de "um chefe de sicários que estava atuando em algumas províncias", declarou o ministro do Interior, John Reimberg, ao canal Teleamazonas.
As forças de segurança também realizam operações contra o garimpo ilegal com o "uso de artilharia", disse o titular da Defesa, Gian Carlo Loffredo.
A província de El Oro, no sudoeste do país, na fronteira com o Peru, é o centro da disputa entre as gangues Los Lobos e Sao Box, dedicadas à mineração ilegal.
O governo mobilizou 75 mil militares com o apoio de Washington para compartilhar informações e fortalecer as capacidades das forças de segurança equatorianas.
"Os toques de recolher são bons só para as ruas principais, ali os militares se posicionam e fazem revistas. Dentro dos bairros os bandidos passeiam com fuzis", comentou à AFP, antes do início da medida, Lenín Baldeón, vigilante de 49 anos que trabalha em Guayaquil, capital de Guayas.
Embora temam maiores perdas econômicas, donos de estabelecimentos noturnos esperam ter alguns dias de paz.
"Esperamos, pelo menos nestes 15 dias, recuperar um pouco de segurança", disse à AFP Ernesto Vásquez, vice-presidente dos estabelecimentos noturnos de Guayas, que lamenta as extorsões sofridas pelos comerciantes.
O Equador integra a aliança de 17 países criada por Donald Trump para combater o narcotráfico na região, após um acordo firmado no início do mês em Miami sob o nome "Escudo das Américas".
Durante o toque de recolher, que vai das 23h (1h no horário de Brasília) às 5h (7h no horário de Brasília), somente podem circular viajantes com passagem aérea em mãos e profissionais de saúde e de emergência.
* AFP



