
O barril do petróleo Brent, usado como referência no mercado internacional, estava cotado a US$ 100,46 no fim do dia desta quinta-feira (12), o maior valor para um fechamento desde agosto de 2022. Só ao longo do dia, a alta foi de 9,2%.
O preço responde à crise gerada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que levou à interrupção quase total do fluxo de petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto da produção mundial. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o conflito causa "a maior interrupção" no fornecimento de petróleo da história.
O Irã detém, pela geografia, controle sobre o estreito, e na quarta lançou ataques contra navios no canal. Nesta quinta, o vice-ministro das Relações Exteriores da república islâmica, Majid Takht-Ravanchi, disse que o país permitiu que embarcações de algumas nações cruzassem o Estreito de Ormuz, mas que isto não será garantido a "países que se uniram à agressão".
Levando em conta que a guerra pressiona a economia mundial, o Irã ameaçou "incendiar" e "destruir" instalações petrolíferas e de gás no Oriente Médio. "Não cederemos até que ele lamente esse grave erro de cálculo", disse no X o chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Ali Larijani, em relação à decisão de Donald Trump, presidente dos EUA, de atacar a república islâmica.
Aiatolá se manifesta
Na primeira manifestação desde que foi eleito líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei destacou que o canal marítimo deve seguir fechado.
— O trunfo do bloqueio do Estreito de Ormuz deve ser usado definitivamente — disse, em mensagem lida por um apresentador da televisão estatal nesta quinta (12).
Khamenei foi eleito no dia 8 para suceder o pai dele, Ali Khamenei, que liderava a república islâmica até ser morto em ataque de Estados Unidos e Israel, no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro. No entanto, desde o começo do conflito Mojtaba não é visto em público. Há especulação de que ele esteja ferido. Informações colhidas por jornalistas indicam ferimentos de pequena gravidade, como uma suposta fratura na perna.
A manifestação divulgada nesta quinta também teve a promessa de vingar os "mártires" mortos nos ataques de EUA e Israel:
— Por enquanto, foi concretizada uma pequena parte dessa vingança, mas enquanto não for completada, será uma das nossas prioridades.
Khamenei também ameaçou atacar estruturas militares estadunidenses que funcionam em países do Golfo:
— Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas.
Seis mil alvos
O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio informou que desde o início da guerra suas forças atacaram aproximadamente 6 mil alvos, inclusive cerca de 60 embarcações e 30 navios minadores (que estariam colocando minas marítimas no Estreito de Ormuz).
O Exército de Israel anunciou, ao cair da noite desta quinta-feira (12), que lançou uma nova onda de ataques em Teerã.
"As FDI (o Exército israelense) acabam de começar uma onda de ataques em grande escala dirigidos contra infraestruturas do regime terrorista iraniano em toda Teerã", afirmou.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) divulgou nesta quinta que cerca de 3,2 milhões de iranianos foram deslocados dentro do país desde o início da guerra.





