
Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram por unanimidade, nesta quarta-feira (11), liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas no mercado. Segundo a instituição, esta foi a maior liberação desse tipo na história da agência.
— Os países membros da AIE disponibilizarão 400 milhões de barris de petróleo no mercado para compensar a interrupção no fornecimento causada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz — anunciou o diretor-executivo da agência, Fatih Birol, em declaração em vídeo.
— Esta é uma ação em larga escala destinada a mitigar os efeitos imediatos da perturbação do mercado. Mas, para sermos claros, o mais importante para o retorno a fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz — afirmou Birol.
Segundo Birol, as reservas emergenciais serão disponibilizadas ao mercado de acordo com cronograma adaptado à situação nacional de cada país-membro e serão complementadas por medidas emergenciais adicionais em alguns países.
Fechamento do Estreito de Ormuz
A guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro, está interrompendo o comércio de petróleo pelo Estreito de Ormuz, um ponto de trânsito crucial por onde passam diariamente 15 milhões de barris de petróleo e outros 5 milhões de barris de derivados, representando aproximadamente 25% das remessas globais de petróleo por via marítima.
Os membros da AIE detêm mais de 1,2 bilhão de barris em suas reservas de emergência, além de 600 milhões de barris de reservas mantidas pela indústria em virtude de obrigações governamentais.
O anúncio ocorre enquanto os líderes do G7, o grupo das economias mais avançadas do mundo, estudam as repercussões econômicas da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já dura duas semanas.
Os líderes devem se reunir por videoconferência nesta quarta para "certamente discutir" a questão das reservas de energia, segundo o ministro da Economia francês, Roland Lescure.
A liberação coordenada de reservas pela AIE é a sexta na história da instituição, que foi criada em 1974. Ações coletivas semelhantes foram realizadas em 1991, às vésperas da Guerra do Golfo, bem como em 2005, após os furacões Katrina e Rita; em 2011, durante a guerra civil líbia; e duas vezes após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
