
A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã chegou, nesta quinta-feira (5), ao sexto dia, com novos ataques israelenses contra Teerã, reação do Irã contra petroleiros no Golfo Pérsico e declarações polêmicas de Donald Trump sobre o a escolha do futuro líder supremo iraniano.
Os ataques não se limitam ao território do Irã, com impactos em outros países do Oriente Médio. Além disso, há reflexos na política e na economia de nações europeias.
Confira, nesta reportagem, os principais tópicos que marcaram o dia:
1. Trump quer ter papel na escolha de novo líder

Enquanto o regime iraniano não define o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado (28), o presidente americano, Donald Trump, defendeu que a Casa Branca tenha papel na escolha do futuro líder supremo do Irã.
Em entrevista ao site de notícias Axios, Trump criticou a possibilidade de o filho do aiatolá morto assumir o posto. Mojtaba Khamenei é considerado por dirigentes iranianos o favorito para o cargo.
— O filho de Khamenei é um "peso leve". Tenho que participar da nomeação, como com Delcy — disse Trump, fazendo referência à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, alçada ao cargo após a captura e a prisão de Nicolás Maduro.
O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz para o Irã.
DONLALD TRUMP
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a Casa Branca divulgou imagens dos ataques ao Irã como se fosse um jogo de videogame. Enquanto imagens de bombardeios são mostradas, uma notificação com "+100 pontos" aparece, em alusão à pontuação pela morte de adversários.
2. Irã diz que não vai negociar
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse à rede americana NBC News que o país não pedirá nem um cessar-fogo, nem novas negociações com os Estados Unidos.
— Não temos nenhuma experiência positiva de negociação com os Estados Unidos, especialmente com esta administração. Negociamos duas vezes, no ano passado e neste ano, e então, no meio das negociações, eles nos atacaram — disse Araghchi.
O Irã também anunciou que um míssil atingiu petroleiro americano no Golfo Pérsico. O incidente, que ainda não foi confirmado por fontes independentes, aconteceu no momento em que a guarda afirma ter o "controle total" do Estreito de Ormuz, via crucial para o comércio mundial de petróleo.
Segundo Araghchi, o governo iraniano não tem intenção de fechar o estreito de Ormuz, ao menos por enquanto.
— Mas, à medida que a guerra continue, consideraremos todas as possibilidades.
Também nesta quinta, o Exército iraniano afirmou que lançou um ataque com drones contra uma base americana em Erbil, capital do Curdistão iraquiano. A Guarda Revolucionária ainda disse ter lançado mísseis contra o aeroporto internacional Ben Gurion, perto de Tel Aviv, e contra uma base aérea israelense situada no mesmo local.
Ataque ao Irã
3. Ataques em larga escala
No fronte, o exército israelense lançou uma nova série de ataques "em larga escala" contra "infraestruturas do regime" do Irã, segundo um comunicado militar. A agência de notícias iraniana Tasnim relatou várias explosões em Teerã.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou, segundo um comunicado de seu gabinete, que o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, o instou o país a prosseguir com a operação contra o Irã "até o fim". Já o governo iraniano acusou EUA e Israel de ataques "deliberados" contra áreas civis.
A agência oficial de notícias iraniana Irna afirmou que o número de mortos desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel supera 1.230 pessoas. A AFP não conseguiu verificar os dados com fontes independentes.
4. Tensão no Oriente Médio

No Líbano, o leste e o sul de Beirute, redutos do movimento pró-iraniano Hezbollah, foram alvos de novos ataques aéreos na madrugada de quinta-feira. A agência de notícias libanesa ANI afirmou que seis membros de duas famílias morreram em ataques aéreos no sul do país. No leste, distante da fronteira com Israel, um ataque atingiu um veículo e matou duas pessoas.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, advertiu os moradores do subúrbio do sul de Beirute que o distrito vai enfrentar uma devastação similar à de Gaza.
— Estamos atacando a cabeça do polvo no Irã e, ao mesmo tempo, vamos cortar o braço do Hezbollah — disse.
A ANI ainda afirmou que um ataque israelense matou um chefe do grupo terrorista Hamas em um campo de refugiados palestinos no norte do Líbano.
O Catar é alvo de um "ataque com mísseis", anunciou o Ministério da Defesa pouco após fortes explosões na capital, Doha. Jornalistas da AFP também ouviram explosões na capital do Barein, Manama.
Na capital da Arábia Saudita, Riad, alguns diplomatas ocidentais receberam ordem para buscar refúgio, informaram fontes oficiais à AFP.
Em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, seis trabalhadores estrangeiros ficaram feridos em uma área industrial devido à queda dos destroços de um drone interceptado, informaram as autoridades locais.
5. Reflexos mundiais
Espanha e Itália anunciaram nesta quinta-feira que enviarão recursos navais ao Chipre, quatro dias após um ataque de drones iranianos contra a base britânica de Akrotiri, na ilha do Mediterrâneo.
Os reforços navais serão adicionados aos navios de guerra enviados pela França e pela Grécia, e aos que o Reino Unido ainda deve enviar. O ministro da Defesa britânico, John Healey, visitou a ilha.
O conflito no Oriente Médio está colocando "mais uma vez à prova" a resiliência econômica mundial, afirmou a diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
— Se o conflito se prolongar, é evidente que poderia afetar os preços mundiais da energia, a confiança dos mercados, o crescimento e a inflação, além de representar novas exigências aos líderes políticos em todo o mundo — declarou.
Na Ásia, a China pediu que suas principais refinarias suspendam as exportações de diesel e gasolina, porque a guerra representa um risco de escassez de abastecimento, informou a agência Bloomberg.








