
Os Estados Unidos ofereceram, nesta sexta-feira (13), uma recompensa de US$ 10 milhões (R$ 52,5 milhões) por informações que levem à captura do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e de outros altos funcionários.
O ministro do Interior e o ministro da Inteligência e Segurança do Irã também estão entre os 10 indivíduos procurados pelo Departamento de Estado.
"Esses indivíduos dirigem e controlam vários elementos do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que planeja, organiza e executa atos terroristas em todo o mundo", afirmou o governo dos EUA.
Há muita incerteza sobre a saúde do novo líder, que não apareceu em público desde que assumiu o poder. Na quinta-feira, sua primeira mensagem foi lida por uma apresentadora na televisão nacional.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou nesta sexta-feira que o novo líder iraniano está "ferido e provavelmente desfigurado".
"Muita força"
Os Estados Unidos enviarão mais fuzileiros navais e navios ao Oriente Médio duas semanas após o início da campanha contra o Irã, informaram nesta sexta-feira (13) meios de comunicação norte-americanos.
Ataque ao Irã
O Wall Street Journal citou autoridades que afirmaram que o USS Tripoli, baseado no Japão, e os fuzileiros navais designados a bordo estão se dirigindo para a região, enquanto o New York Times informou que 2,5 mil fuzileiros navais, a bordo de até três navios, estão a caminho do Oriente Médio.
Em entrevista nesta sexta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu intensificar a ofensiva na terceira semana desde o início da guerra.
— Vamos atacá-los com muita força na próxima semana — disse Trump à Fox News Radio.
Em coletiva de imprensa do Pentágono, o secretário Pete Hegseth afirmou que Estados Unidos e Israel já atingiram mais de 15 mil alvos em território iraniano. O secretário também indicou que os bombardeios devem se intensificar:
— Continuaremos avançando com nossa operação no Irã.
Bombas em Teerã e Tel Aviv
Explosões em larga escala abalaram o centro de Teerã nesta sexta, informou a televisão pública. Os ataques atingiram uma área próxima de onde acontecia uma manifestação pró-governo. O Exército israelense afirmou que os moradores deveriam abandonar dois bairros do centro de Teerã antes dos bombardeiso.
A força de Israel também anunciou que atacou mais de 200 alvos no oeste e no centro do Irã em apenas um dia. Caças executaram "20 ataques em larga escala" que tiveram como alvos "lançadores de mísseis balísticos, sistemas de defesa e centros de produção de armas", disse o exército.
Também nesta sexta várias explosões foram ouvidas em Tel Aviv, no centro de Israel, onde soaram as sirenes de alerta, informaram jornalistas da AFP. As explosões foram ouvidas até Jerusalém, a cerca de 70 quilômetros de Tel Aviv.
No Golfo, prossegue a sucessão de ataques iranianos contra monarquias com grande produção de petróleo, incluindo algumas que abrigam bases americanas.
Em Omã, duas pessoas morreram devido ao impacto de um drone, segundo a agência de notícias local. O Ministério da Defesa da Arábia Saudita anunciou que derrubou um drone que tinha como alvo o bairro diplomático da capital, Riade. Durante a manhã, o governo local informou ter "interceptado e destruído" 45 aeronaves não tripuladas.
Sirenes de alerta foram ouvidas nesta sexta-feira na base aérea de Incirlik, uma instalação crucial da Otan com presença de tropas americanas no sudeste da Turquia, informou a agência estatal de notícias do país, Anadolu.
Explosões sacudiram prédios de Dubai e uma densa nuvem de fumaça era observada nesta sexta-feira no emirado, segundo jornalistas da AFP.
Petróleo subiu 42% desde o começo da guerra
O barril Brent, referência internacional para o petróleo, subiu 42% desde o início da guerra no Oriente Médio, devido à queda nas entregas de hidrocarbonetos do Golfo Pérsico.
Seu preço subiu de US$ 72,48 por barril em 27 de fevereiro para US$ 103,14 na noite desta sexta-feira, um aumento de mais de 42% no período e de 11% na semana.
Menos de 80 navios atravessaram o Estreito de Ormuz
Menos de 80 navios atravessaram o Estreito de Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio, sobretudo embarcações pertencentes à "frota fantasma", informou nesta sexta-feira (13) a empresa britânica de dados marítimos Lloyd's List Intelligence.
"Registramos 77 trânsitos desde o início do mês através do estreito", afirmou o analista Bridget Diakun.
A título de comparação, a empresa registra que entre 1º e 11 de março de 2025, haviam sido registrados 1.229 trânsitos pelo estreito.
Logo que foi atacado pelos EUA e por Israel, o Irã anunciou o fechamento do canal marítimo, prometendo atacar embarcações que o cruzassem. Desde 1º de março, 20 navios comerciais, entre eles nove petroleiros, foram alvo de agressões ou relataram incidentes na região, segundo a agência britânica de segurança marítima (UKMTO). A Organização Marítima Internacional (OMI) confirmou 16 incidentes, oito deles envolvendo petroleiros.
Segundo a definição da OMI, a "frota fantasma" é formada por navios que "realizam atividades ilegais para contornar sanções, evitar o cumprimento de normas de segurança ou ambientais, contornar os custos dos seguros ou realizar outras atividades ilícitas".
A Lloyd's List Intelligence especifica que, até o momento, as passagens por Ormuz foram realizadas principalmente por navios afiliados ao Irã (26%), à Grécia (13%) e à China (12%).
Marta Sfredo: nem liberação de sanção a petróleo russo afasta preço dos US$ 100
A inquietação com o impacto econômico da ofensiva de Estados Unidos e Israel ao Irã fez o presidente Donald Trump recorrer a uma medida tão drástica quanto irônica: a suspensão temporária de sanções sobre o petróleo russo. É dramática porque a punição havia sido adotada para tentar forçar a Rússia a negociar o fim da invasão da Ucrânia. E irônica porque a relação entre Trump e Vladimir Putin é alvo de especulações, já que o russo parece imune ao "homem mais poderoso do mundo".
Mesmo assumindo o risco de mais um arranhão na imagem, a Casa Branca autorizou que, por 30 dias, a Rússia venda petróleo e derivados que estão retidos no mar. Conforme o secretário do Tesouro, Scott Bessent, seria "um passo para estabilizar os mercados globais de energia". Depois do anúncio, a cotação do barril se manteve perto dos USS 100, em uma amplitude que foi de US$ 102 a US$ 98.
OIM ajuda migrantes a saírem do Irã
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciou que está ajudando migrantes no Irã a retornarem a seus países e que recebeu centenas de pedidos de pessoas bloqueadas pela guerra.
Segundo a OIM, os migrantes encontram-se em situação de extrema vulnerabilidade no Irã, em um contexto de bombardeios intensos e deslocamentos em massa de populações que não dispõem das estruturas de apoio disponíveis aos cidadãos iranianos.
O número de pedidos aumenta a cada dia, ressaltou o diretor de gestão de deslocamento e reinstalação de migrantes na OIM, David John, sem detalhar a nacionalidade das pessoas ajudadas ou que solicitam apoio. Segundo John, em breve serão contabilizados "em milhares".
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) informou na quinta-feira que 3,2 milhões de iranianos foram deslocados dentro do Irã desde o início da guerra.
O Irã é o país que acolhe o maior número de refugiados no mundo e conta com uma importante população de migrantes, incluindo milhões de afegãos e centenas de milhares de iraquianos, segundo a ONU.
Ataque a escola sob investigação
Um general americano foi designado para coordenar a investigação sobre o ataque que destruiu uma escola no Irã. A investigação "levará o tempo que for necessário para examinar todos os aspectos deste incidente", declarou o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth. O ataque com mísseis, que o Irã atribui a Estados Unidos e Israel, matou 165 pessoas, incluindo crianças, segundo a imprensa iraniana.
Gisele Loeblein: como guerra no Oriente Médio impacta o agro
À medida que persiste, a guerra no Oriente Médio vai ampliando efeitos mundo afora. Inclusive dentro do parque da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, norte do RS. Parte dos estrangeiros que vêm para a feira acabou não conseguindo chegar em razão da alteração das rotas que partiam ou passavam pelo hub de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Outros, tiveram de encarar longas horas de viagem e preços mais caros para fazer trajetos alternativos.
Insumos essenciais à produção, os fertilizantes já registram alta nas cotações em razão do conflito. Outro fator que pressiona o mercado é a situação logística. A navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global, tem sido prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. Só de ureia, a região responde por cerca de 40% das exportações mundiais.
GPs de Fórmula 1 serão cancelados
Os conflitos no Oriente Médio cancelarão duas corridas da temporada 2026 de Fórmula 1. Os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, previstos para 12 e 19 de abril, respectivamente, não acontecerão, conforme informações da ESPN, Sky Sports e Reuters. Os dois países foram atingidos durante a resposta do Irã aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.












