
Em visita à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo (22), acreditar que o Brasil agiu corretamente ao ter cautela para tratar o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump:
— Sobre a taxação, tomamos decisão com muita cautela e tomamos a decisão correta. Em algumas coisas o próprio governo americano voltou atrás (com relação às tarifas contra o Brasil) e agora temos a decisão da Suprema Corte. Por isso, eu quero conversar direto com Trump sobre toda a relação entre o Brasil e os Estados Unidos.
Lula pretende dizer a Trump que deseja relações baseadas na igualdade entre os países, sem imposições dos mais fortes sobre os mais fracos. Um encontro entre os dois líderes pode ocorrer em março.
— Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário — disse a jornalistas em Nova Déli.
O presidente acrescentou que "não há nada proibido" na mesa de negociação. Durante a visita oficial, Lula firmou acordos com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, incluindo um documento inédito de compromissos sobre minerais críticos e terras raras.
Ao todo, Brasil e Índia assinaram seis memorandos de entendimento — acordos preliminares — nas áreas de saúde, tecnologia, pesquisa científica e comunicações.
O brasileiro também criticou o que chamou de "autoritarismo" nas negociações internacionais e voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), para ampliar a participação de países em desenvolvimento. Este é o último dia de Lula na Índia. Em seguida, ele embarca para a Coreia do Sul, dando continuidade à agenda internacional.
— É necessário fortalecer a ONU se queremos que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz — declarou.
Encontro com Trump
Sobre o encontro entre os dois líderes, fontes da diplomacia brasileira ouvidas pela GloboNews afirmam que o Brasil pretende priorizar três temas principais:
- Combate ao crime organizado
- Continuidade das negociações sobre produtos brasileiros ainda afetados pelo tarifaço
- Cenário político e institucional na América Latina
Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que a reunião presencial entre Lula e Trump será fundamental para organizar e fortalecer a relação bilateral entre os dois países.
