
Um juiz federal dos Estados Unidos ordenou a soltura de um menino equatoriano de cinco anos e seu pai, detidos pela polícia de imigração no último dia 20, em Minnesota.
Liam Conejo Ramos e o pai, Adrian Alexander Conejo Arias, foram levados por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) quando retornavam da escola, na região metropolitana de Minneapolis - mesma cidade onde dois cidadãos estadunidenses foram mortos pelo ICE nas últimas semanas. Renee Nicole Good, no dia 7 de janeiro, e Alex Pretti, dia 24.
De acordo com o jornal San Antonio Express-News, que divulgou a decisão, o juiz Fred Biery especifica que os dois devem ser soltos "assim que possível" até terça-feira, enquanto o caso de imigração segue na corte. Segundo a imprensa local, ambos têm um processo pendente em um tribunal de imigração.
Segundo o jornal, a decisão de Biery afirma que o caso "tem sua gênese na má concebida e incompetentemente implementada busca por cotas diárias de deportação, aparentemente mesmo que ao custo do trauma de uma criança".
Na quinta-feira, o deputado democrata Joaquín Castro afirmou que o menino estava "deprimido e triste" após visitá-los no centro de detenção para famílias migrantes de Dilley, no condado de Frio, no Texas.
"O pai diz que (o menino) não é o mesmo, que está dormindo muito porque está deprimido e triste", diz o congressista do Texas em um vídeo publicado na rede social X.
As imagens da detenção de Liam Conejo Ramos, que usava um gorro azul e uma mochila do Homem-Aranha quando foi colocado sob custódia por um agente do ICE, rodaram o mundo.
Mais de cem pessoas protestaram na quarta-feira (28) diante do centro de detenção, mas a manifestação foi dispersada com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.

Anteriormente, Biery já havia proibido a deportação dos dois e impedido sua transferência para outro local. O centro de detenção para onde foram levados é destinado a famílias migrantes com filhos menores de idade detidas sob acusações de violação das leis de entrada no país.
No último mês, agentes federais, muitos deles encapuzados, realizaram diversas operações em Minnesota em uma campanha anti-imigração impulsionada pelo presidente Donald Trump.
No sábado (31), uma juíza rejeitou o pedido de Minnesota para suspender a operação do ICE no Estado. Até agora, duas pessoas foram mortas em protestos contra o que chamam de perseguição a imigrantes.
A primeira delas foi Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada dentro do carro no dia 7 de janeiro. Menos de três semanas depois, no dia 24, os agentes mataram o enfermeiro Alex Pretti, também de 37 anos.
Após a morte de Pretti, Trump afirmou que a Casa Branca está "revisando tudo" em relação à abordagem do ICE.
— Estamos analisando, estamos revisando tudo e chegaremos a uma conclusão — disse ele em uma entrevista ao The Wall Street Journal.
Porém, Trump se recusou a avaliar se a abordagem foi adequada.
A indignação com as mortes e as abordagens da gestão Trump se espalhou pelo país. Segundo a agência Deutsche Welle, eram aguardados mais de 300 eventos em todos os 50 estados e em Washington D.C. neste fim de semana.
