
O Congresso do Peru escolheu, na madrugada desta quinta-feira (19), José María Balcázar Zelada como presidente interino do país. Ele assume o comando do Executivo após a destituição de José Jerí, que permaneceu cerca de quatro meses no cargo.
Zelada integra o partido Peru Libre, legenda de esquerda. A eleição foi definida pelo plenário do Congresso em dois turnos. Na primeira votação, nenhum dos quatro concorrentes atingiu maioria absoluta. Os dois mais votados avançaram para a rodada final, na qual Balcázar superou Maricarmen Alva Prieto.
Pela regra constitucional, o então presidente do Parlamento, Fernando Rospigliosi, seria o próximo na linha sucessória. Ele, no entanto, recusou-se a assumir o posto. Diante disso, os congressistas elegeram um novo chefe do Legislativo, que automaticamente passa a ocupar a Presidência da República de forma temporária. O mandato será exercido até as eleições gerais, marcadas para 12 de abril.
Jerí, que havia assumido em outubro de 2025, enfrentava questionamentos após vir à tona um encontro não divulgado oficialmente com um empresário chinês. Ao todo, 75 parlamentares votaram pela saída do presidente, 24 se posicionaram contra e três optaram pela abstenção.
A instabilidade política tem sido recorrente no país. Jerí é o terceiro chefe de Estado consecutivo a deixar o cargo antes do fim do mandato. Em um intervalo de oito anos, o Peru contabiliza sete presidentes.
A crise que levou à queda de Jerí ficou conhecida como “Chifagate”, em referência ao termo usado no país para restaurantes chineses. O episódio veio à tona em janeiro, quando o então presidente foi flagrado chegando de capuz, à noite, a um restaurante para se encontrar com o empresário chinês Zhihua Yang, dono de estabelecimentos comerciais e detentor de concessão na área de energia. O compromisso não constava na agenda oficial.
Jerí havia chegado ao poder após o Congresso destituir por unanimidade sua antecessora, Dina Boluarte, em meio a denúncias de corrupção e críticas ao aumento da criminalidade. Sem vice-presidente, a sucessão recaiu sobre o então presidente do Legislativo, posto ocupado por Jerí à época.
A mesma condição interina acabou sendo utilizada pelo Parlamento para afastá-lo. Em vez de um processo de impeachment — que exigiria ao menos 87 votos entre os 130 deputados — os congressistas optaram pela censura, mecanismo que retira o comando do Congresso por maioria simples e, consequentemente, o posto de presidente da República.
Após a votação, Jerí declarou que acataria a decisão do Legislativo.