Uma alta responsável da ONU advertiu nesta quarta-feira (18) que as medidas de Israel para reforçar o controle sobre áreas da Cisjordânia administradas pela Autoridade Palestina equivalem a uma "anexação gradual de fato".
Na semana passada, o governo israelense aprovou um plano para facilitar seu controle de terras administradas pela Autoridade Palestina segundo os Acordos de Oslo, em vigor desde a década de 1990. No domingo, ocorreu o mesmo com um processo para registrar terras na Cisjordânia - ocupada por Israel desde 1967 - como "propriedade do Estado".
"Estamos testemunhando uma anexação gradual de fato da Cisjordânia, enquanto as medidas unilaterais israelenses transformam gradualmente a realidade no terreno", declarou a subsecretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre a questão palestina.
DiCarlo acrescentou que, se aplicadas, as medidas constituiriam "uma perigosa expansão da autoridade civil israelense na Cisjordânia ocupada, inclusive em áreas sensíveis como Hebron (sul)".
Ela também assinalou que esses passos levariam à expansão dos assentamentos israelenses - que aumentaram nas últimas décadas na Cisjordânia - ao "eliminar entraves burocráticos e facilitar a compra de terras e a obtenção de permissões de construção".
Os Acordos de Oslo foram assinados com o objetivo declarado de abrir caminho para um Estado palestino independente, do qual a Cisjordânia formaria a maior parte.
O que foi pactuado estabeleceu que a Cisjordânia seria dividida nas áreas A, B e C, sob administrações palestina, mista e israelense, respectivamente.
No entanto, alguns integrantes da direita religiosa de Israel consideram a região como terra israelense.
Uma declaração foi emitida na terça-feira por 85 Estados-membros das Nações Unidas contra as ações e o novo plano de Israel. "Condenamos energicamente as decisões e medidas unilaterais de Israel destinadas a ampliar a presença ilegal de Israel na Cisjordânia", dizia o documento.
Antes das declarações de DiCarlo, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que "é surpreendente que tantos países digam que a presença judaica em nossa antiga pátria viola o direito internacional".
"Nenhuma outra nação em nenhum outro lugar do mundo tem um direito mais forte do que nosso direito histórico e documentado à terra da Bíblia", acrescentou Saar.
* AFP



