
Em meio ao ressurgimento do caso Epstein, o ex-príncipe Andrew, 65 anos, acabou se exilando nesta semana longe de Windsor, sem conseguir, com isso, escapar das suspeitas que se acumulam ao seu redor.
O jornal The Sun foi o primeiro a revelar na terça-feira (3) a saída do irmão mais novo de Charles III da residência no Royal Lodge, perto do castelo de Windsor, a oeste de Londres.
Andrew deixou, às escondidas, a mansão de 30 cômodos onde vivia há décadas e foi levado para uma casa de campo em Sandringham, a propriedade do rei em Norfolk, no leste da Inglaterra.
Segundo a Reuters, a mudança do ex-príncipe foi confirmada por uma fonte da realeza. Ela também afirmou que Andrew poderá retornar ocasionalmente a Windsor nas próximas semanas, enquanto uma fase de transição é concluída.
Em outubro, após uma nova série de revelações constrangedoras ligadas ao bilionário americano Jeffrey Epstein, o monarca havia tomado a decisão histórica de retirar de Andrew seus títulos reais.
Charles já havia ordenado a mudança de Andrew após retirar o título de príncipe do irmão mais novo.
O imóvel de Sandringham pertence ao rei, diferentemente de Windsor, administrado de forma independente por um organismo do qual o Estado recupera a maior parte das receitas.
No entanto, segundo fontes citadas pela imprensa britânica, os acontecimentos se aceleraram, pois o rei estaria "cada vez mais preocupado" com o grau de envolvimento do irmão nesse escândalo.
Suspeitas pesam sobre Andrew
O Palácio de Buckingham não confirmou nem comentou imediatamente essa evolução, mas as informações que emergiram dos milhões de páginas do dossiê Epstein publicadas na última sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos apenas alimentaram as suspeitas que pesam sobre Andrew.
Entre os documentos surgiram fotos sem data nas quais Andrew aparece ajoelhado e inclinado sobre uma jovem cujo rosto está censurado, além de e-mails convidando o criminoso sexual a Buckingham para conversar em "particular".
Andrew já havia sido acusado por Virginia Giuffre de agressões sexuais quando ela era menor de idade. A principal testemunha de acusação do caso Epstein se suicidou em abril passado.
Uma segunda mulher afirmou, por meio de seu advogado, que o financista americano a enviou ao Reino Unido em 2010 para manter relações sexuais com Andrew no Royal Lodge.
A polícia local indicou que irá "examinar essas informações", mas que até agora não havia sido contatada nem por essa mulher, nem por seu advogado.
Na quarta-feira (28), uma carta de um advogado surgiu nos documentos da Justiça americana, relatando uma noite com "bailarinas exóticas" em Palm Beach, nos Estados Unidos, no início de 2006.
Nessa mesma noite, Epstein teria apresentado uma delas, representada por um advogado, a Andrew. Os dois homens teriam proposto manter relações sexuais ao mesmo tempo.
A jovem teria se recusado, mas a vontade dos dois homens teria "prevalecido", afirma o advogado na carta, acrescentando que ela recebeu dinheiro posteriormente, embora menos do que havia sido prometido inicialmente por dançar.
Andrew ainda não se pronunciou
Andrew, que sempre negou qualquer comportamento ilegal, não fez nenhuma declaração desde a publicação dos últimos documentos. O ex-príncipe foi visto por fotógrafos na segunda-feira (2), passeando a cavalo pelo parque de Windsor.
Apesar da tradicional reserva do governo em relação à família real, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, avaliou que Andrew deveria depor perante o Congresso americano sobre o que sabe a respeito dos crimes do financista.
* AFP

