
Um e-mail trocado em agosto de 2012 mostra que o bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede internacional de exploração sexual, demonstrou interesse pela modelo brasileira Luma de Oliveira.
A mensagem faz parte de um conjunto de documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos na última sexta-feira (30) sobre o caso.
A troca de mensagens ocorreu entre Epstein e o agente francês Jean-Luc Brunel, apontado como um de seus principais colaboradores. Na conversa, Epstein pergunta se Luma seria namorada de Eike Batista, um dos homens mais ricos do país na época.
Brunel, então, responde dizendo que havia mencionado Luma de Oliveira e afirma que o empresário "era ou é casado com ela".
No entanto, Luma e Eike Batista já estavam separados quando houve a troca de e-mails. Eles foram casados entre 1991 e 2004.

O contexto da conversa não é esclarecido nos documentos divulgados, e não há indícios de que Luma de Oliveira tenha tido qualquer envolvimento com Epstein ou com os crimes investigados.
A menção ao nome da modelo aparece apenas como parte da troca de mensagens entre os homens. A ex-modelo brasileira não se manifestou sobre o caso.
Jean-Luc Brunel e o caso Epstein
Jean-Luc Brunel é citado nos documentos como um dos principais elos de Epstein com o Brasil. Registros tornados públicos indicam que o agente francês acionava contatos em diferentes países para conseguir prostitutas para o bilionário norte-americano sempre que solicitado.
Um dos documentos divulgados inclui um depoimento prestado à Justiça da Flórida, em 2010, por uma pessoa que afirma ter trabalhado para Brunel. Segundo esse relato, Epstein viajava com frequência ao Brasil e mantinha contato com pessoas que forneciam garotas para prostituição, inclusive menores de idade. Essas conexões no país seriam intermediadas pelo francês.
Brunel atuava como agente de modelos no mercado internacional da moda e foi um dos fundadores da agência MC2 Model Management, nos Estados Unidos. A empresa foi criada com financiamento de Epstein e, segundo investigações, teria sido usada como meio para aproximar jovens mulheres do bilionário.
Ao longo dos anos, Brunel foi acusado por diversas mulheres de abuso sexual. As denúncias apontam que ele se valia de sua posição no mundo da moda para se aproximar de jovens modelos, muitas vezes oferecendo falsas promessas de contratos e oportunidades profissionais.
Em 2020, o agente foi preso no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, quando tentava embarcar para o Senegal. Ele permaneceu detido enquanto aguardava julgamento, mas foi encontrado morto em sua cela em 2022. As autoridades francesas classificaram a morte como suicídio.
Ele também era suspeito de envolvimento na rede global de pedofilia organizada por Epstein.




