
Um dia após forças norte-americanas invadirem a Venezuela e capturarem Nicolás Maduro sob acusação de ligação com o narcotráfico internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar uma ação militar contra a Colômbia. A declaração foi feita a repórteres neste domingo (5), a bordo do avião presidencial.
— A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de fazer cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito tempo — declarou Trump em referência ao presidente colombiano, Gustavo Petro.
Conforme informações divulgadas pela imprensa, Trump foi questionado por jornalistas se os Estados Unidos realizariam alguma operação militar na Colômbia:
— Parece bom para mim — respondeu.
O presidente colombiano Gustavo Petro é um dos principais críticos do mandatário norte-americano e tem feito críticas às operações militares dos EUA na América do Sul.

Em publicação no X neste domingo, Petro afirmou: "Sem base legal para agir contra a soberania da Venezuela, a detenção se configura como sequestro."
Petro já protagonizou diversos embates públicos com Trump, que chegou a acusá-lo de ser "conivente" com o narcotráfico.
Na coletiva de imprensa realizada no último sábado (3), ao detalhar a operação na Venezuela, Trump elevou o tom contra o colombiano e declarou que o líder "precisa ficar de olho no próprio traseiro", em resposta à afirmação de que não teme ser o próximo alvo.
Trump volta a falar em anexar a Groelândia
Durante a entrevista a bordo, Trump voltou a defender que a Groenlândia deveria integrar os Estados Unidos. A declaração foi feita apesar dos apelos do primeiro-ministro dinamarquês para que o presidente americano pare de “ameaçar” o território.
— Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não poderá nos prover isso — insistiu o republicano.
A ilha, um estado semiautônomo da Dinamarca, atrai o republicano por conta da posição estratégica que o território possui no Ártico, além da reserva de terras raras e fontes de recursos naturais, como minério.
Ainda no sábado (3), enquanto Nicolás Maduro ainda desembarcava nos Estados Unidos para responder a acusações de envolvimento com tráfico de drogas, Katie Miller, esposa de Stephen Miller, chefe de gabinete da Casa Branca, já reacendia a discussão em torno da ilha ártica.
No X, ela publicou uma imagem ilustrativa que exibe a Groelândia pintada com as cores dos Estados Unidos, e escreveu na postagem a palavra "Soon", que significa "em breve", em inglês.
Jesper Moller Sorensen, embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, respondeu ao post de Katie Miller dizendo que Estados Unidos e Dinamarca são "aliados próximos" e que os países devem "continuar a trabalhar juntos" para garantir maior segurança no Ártico.
"O Reino da Dinamarca aumentou significativamente seus esforços de segurança no Ártico - somente em 2025, destinamos US$ 13,7 bilhões que podem ser usados ??no Ártico e no Atlântico Norte. Porque levamos nossa segurança conjunta a sério", afirmou Sorensen. "E sim, esperamos total respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca".
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também rebateu a publicação de Katie Miller e classificou a foto como "desrespeitosa".
"A imagem compartilhada por Katie Miller, que retrata a Groenlândia envolta em uma bandeira americana, não muda absolutamente nada. Nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por postagens em redes sociais", disse Frederik, que concluiu: "Não há necessidade de entrar em pânico. Mas há uma boa razão para falar contra o desrespeito".
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, por sua vez, escreveu nas suas redes sociais que "não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre os Estados Unidos assumirem a Groenlândia", e reforçou que, por fazer parte da Otan, o país "está coberto pela garantia de segurança da aliança".



