
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o ataque militar à Venezuela que capturou Nicolás Maduro foi algo não visto "desde a Segunda Guerra Mundial" e que os EUA administrarão o país até uma "transição adequada", incluindo a negociação de petróleo.
As declarações ocorreram durante coletiva de imprensa realizada em Mar-a-Lago, na Flórida (veja abaixo).
Segundo ele, foram utilizados poder militar americano por "ar, terra e mar" e não houve mortes de norte-americanos, apesar de resistência e troca de tiros no local onde Maduro estava.
Trump disse que Maduro e a esposa foram acusados no Distrito Sul de Nova Iorque pelo promotor Jay Clayton "por sua campanha de narcoterrorismo mortal contra os Estados Unidos e seus cidadãos", onde serão julgados.
Trump comparou o ataque com outros feitos pelos Estados Unidos que classificou como "vergonha", como no Afeganistão.
— Agora somos um país respeitado novamente — disse.
O presidente ressaltou que barcos com drogas eram levados da Venezuela aos EUA, com potencial para matar até "25 mil pessoas" e que era enviado "tudo de ruim" pelas fronteiras.
O presidente dos EUA disse que teve conversas com Maduro e que o líder venezuelano esteve próximo de se render, "mas agora acho que ele gostaria de ter feito isso".
Transição "adequada"
Trump anunciou que os EUA administrarão a Venezuela até que haja uma transição "adequada" de poder e que um grupo de pessoas será designada para isso:
— Nós estamos lá e ficaremos até que uma transição adequada aconteça. Nós vamos, basicamente, administrar o país até que uma transição apropriada aconteça.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que já conversou com a vice-presidente da Venezuela e com a líder da oposição local, María Corina Machado, mas não deu detalhes.
Para Trump, ambas as opções podem ser inviáveis, tendo em vista a relação da vice com Maduro e o fato de que María Corina "não tem o apoio ou o respeito de todo o país".
— Ela é uma mulher muito simpática, mas ela não tem o respeito — disse.
Petróleo
Trump também afirmou que "grandes empresas americanas" investirão "bilhões de dólares" na estrutura do país para extração do óleo "e começar a ganhar dinheiro".
— Acho que nós teremos muita riqueza saindo daquele solo e essa riqueza vai ajudar os venezuelanos ali e fora da Venezuela. E vai para os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos causados ao nosso país — afirmou.
Trump disse que a estrutura petrolífera construída pelos EUA "foi roubada" pela Venezuela, referindo-se a nacionalizações de companhias.
— Isso foi um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país. Eu acho que foi o maior roubo de propriedade na história do nosso país. Uma estrutura imensa de petróleo foi e os americanos nunca vão permitir que poderes estrangeiros roubem o nosso povo ou façam isso — disse.
Segundo ele, os EUA estão preparados para um segundo ataque "caso seja necessário".
— Nós faremos o povo da Venezuela rico, independente e seguro.
Trump disse que a operação contra a Venezuela deve servir como aviso "para qualquer pessoa pessoa que queira ameaçar a soberania americana ou as vidas americanas".
Ele ainda estendeu a ameaça a "todas as figuras políticas e militares na Venezuela":
— (Elas) devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles. Vai acontecer com eles se eles não forem justos com o seu povo. O ditador e terrorista Maduro finalmente saiu da Venezuela e as pessoas estão livres. Demorou muito para elas, mas os venezuelanos estão livres. A América é uma nação mais segura — disse.
Reação de outros países
Perguntado sobre a reação de China, Rússia e Irã, Trump disse que o primeiro terá que "andar na linha", sem dar mais informações.
Sobre os outros países, afirmou que não poderão reagir porque os Estados Unidos agora são responsáveis por "imensas quantidades de petróleo" que serão negociados.
Como aconteceu o ataque
O trabalho para a ação começou meses atrás em coordenação com forças do "ar, da terra e do mar", segundo o chefe do Estado-Maior conjunto dos EUA, Dan Caine. No total, foram mais de 150 aeronaves, com todas retornando para os EUA, e "bilhares de horas de experiência" na operação. Nenhum militar dos EUA foi ferido.
Caine relatou que os helicópteros começaram a voar dentro da Venezuela a partir de 150 metros de altura do nível do mar e que foram destruindo a capacidade militar venezuelana ao se aproximarem de Caracas.
A chegada ao local onde Maduro estava ocorreu às 2h01min no horário da Venezuela. Houve resistência e um dos helicópteros da frota foi atingido, mas continuou operando. Após serem capturados, Maduro e a primeira-dama foram levados de helicóptero até o navio USS Iwo Jima, onde estão seguindo para Nova York.
Forças dos Estados Unidos continuam na região "em estado de prontidão, preparadas para demonstrar poder, se defender e demonstrar os nossos interesses na região".
Alternativas a Maduro
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que foram oferecidas alternativas para Maduro, e que o venezuelano teve múltiplas oportunidades.
— Nós oferecemos alternativas muito generosas e ele escolheu agir como um homem louco, escolheu ficar zoando. O resultado foi o que vimos ontem. A outra mensagem que nós seguimos é que nós não gostamos desse tipo de brincadeira, nós não jogamos com isso.
Em resposta a perguntas de jornalistas, Rubio disse que o Congresso não foi avisado para que a operação não vazasse.

Relembre a escalada do conflito
Nicolás Maduro está no poder da Venezuela desde 2013 e sempre se opôs aos Estados Unidos.
Após ser eleito para um segundo mandato, Donald Trump escalou os ataques verbais contra a Venezuela, acusando Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico. Em agosto, os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de US$ 50 milhões para a captura de Maduro.
Nos últimos meses, os Estados Unidos começaram a fazer ataques militares dentro do território venezuelano. Em um primeiro momento, foram atacadas embarcações que, segundo os Estados Unidos, transportavam drogas.
Em outubro, Trump autorizou a CIA, a agência de inteligência norte-americana, a realizar ações para derrubar o governo de Maduro.
— Não aos golpes de Estado dados pela CIA, que tanto nos lembram os 30 mil desaparecidos pela CIA nos golpes de Estado contra a Argentina (...) Até quando golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não os necessita e os repudia — disse Maduro na ocasião.



