
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou neste sábado (3) que foram necessários apenas 47 segundos para capturar o mandatário venezuelano, Nicolás Maduro.
As declarações ocorreram durante coletiva de imprensa realizada em Mar-a-Lago, na Flórida.
— Poderia ter retaliação. Nós tentamos entrar pelas áreas seguras. Nós passamos pela oposição, pelas forças de retaliação. Eles estavam esperando por algo. Havia muita oposição, muitos adversários, mas tentamos fazer com que nossas forças chegassem a lugar seguro. E 47 segundos, em média, foi o que foi necessário para a ação. Foi muito difícil, mas ele não conseguiu fechar a porta — afirmou Trump.
O presidente venezuelano foi capturado na madrugada deste sábado (3), em Caracas, capital do país, juntamente com a primeira-dama, Cilia Flores.
Agora, Maduro é levado de navio para Nova York, onde deve ser julgado pela Justiça norte-americana por crimes como conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos.

A manifestação
Durante o pronunciamento, Trump também disse que o ataque militar à Venezuela que capturou Maduro foi algo não visto "desde a Segunda Guerra Mundial" e que os EUA administrarão o país até uma "transição adequada".
Segundo ele, foram utilizados poder militar americano por "ar, terra e mar". Ele disse que as forças venezuelanas ficaram "sem nenhum poder" e que não houve mortes de norte-americanos.
Trump comparou o ataque com outros feitos pelos Estados Unidos que classificou como "vergonha", como no Afeganistão.
— Agora somos um país respeitado novamente — disse.
Transição e petróleo
Trump disse que os EUA administrarão o país até que haja uma transição "adequada" de poder na Venezuela e que "grandes empresas americanas" investirão "bilhões de dólares" na estrutura do país para extração do óleo "e começar a ganhar dinheiro pelo país".
Segundo ele, os EUA estão preparados para um segundo ataque "caso seja necessário":
— Nós faremos o povo da Venezuela rico, independente e seguro.
Trump disse que a estrutura petrolífera construída pelos EUA "foi roubada" pela Venezuela.
— Isso foi um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país. Eu acho que foi o maior roubo de propriedade na história do nosso país. Uma estrutura imensa de petróleo foi e os americanos nunca vão permitir que poderes estrangeiros roubem o nosso povo ou façam isso — disse.
Trump disse que a operação contra a Venezuela deve servir como aviso "para qualquer pessoa pessoa que queira ameaçar a soberania americana ou as vidas americanas".
Ele ainda estendeu a ameaça a "todas as figuras políticas e militares na Venezuela":
— (Elas) devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles. Vai acontecer com eles se eles não forem justos com o seu povo. O ditador e terrorista Maduro finalmente saiu da Venezuela e as pessoas estão livres. Demorou muito para elas, mas os venezuelanos estão livres. A América é uma nação mais segura — disse.
Como aconteceu o ataque
Na madrugada deste sábado (3), aeronaves sobrevoaram a capital venezuelana, Caracas, e foram ouvidas explosões. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou, no início da manhã, que houve um ataque militar dos Estados Unidos na Venezuela e que o presidente Nicolás Maduro foi capturado, assim como sua esposa, Cilia Flores.
As primeiras explosões em Caracas foram ouvidas por volta das 2h locais (3h de Brasília). O governo venezuelano também divulgou que alvos militares foram atacados nos Estados de Miranda e La Guaira, assim como na cidade de Aragua, que fica a uma hora de Caracas.
Um dos alvos em Caracas foi o forte militar Tiuna, o mais importante do país. Na base aérea de La Carlota, blindados foram atacados.
Quantas pessoas morreram?
O ministério da Defesa da Venezuela disse que populações civis foram atingidas pelas bombas. Ainda não foi divulgado um número oficial de vítimas.
Morador de Caracas, o professor Carlos Romero afirmou que ouviu "explosões muito fortes" vindas do aeroporto militar de La Carlota, em Caracas, localizado próximo da casa onde reside, em entrevista à Rádio Gaúcha.

O que alegam os EUA?
Nicolás Maduro está no poder da Venezuela desde 2013 e sempre se opôs aos Estados Unidos.
Após ser eleito para um segundo mandato, Donald Trump escalou os ataques verbais contra a Venezuela, acusando Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico. Em agosto, os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de US$ 50 milhões para a captura de Maduro.
Nos últimos meses, os Estados Unidos começaram a fazer ataques militares dentro do território venezuelano. Em um primeiro momento, foram atacadas embarcações que, segundo os Estados Unidos, transportavam drogas.
— Não aos golpes de Estado dados pela CIA, que tanto nos lembram os 30 mil desaparecidos pela CIA nos golpes de Estado contra a Argentina (...) Até quando golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não os necessita e os repudia — disse Maduro na ocasião.


