
A Rússia condenou, nesta segunda-feira (12), o que chamou de interferência de "poderes estrangeiros" no Irã, após os Estados Unidos ameaçarem intervir na república islâmica em meio a protestos violentos.
Em uma conversa por telefone com seu homólogo iraniano, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu, "condenou veementemente mais uma tentativa dos poderes estrangeiros de interferir nos assuntos internos do Irã", informou a mídia estatal, na primeira reação aos protestos que tomaram conta do país.
Ameaças de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo (11) que o Irã entrou em contato com representantes americanos e propôs negociações após ele ameaçar agir em resposta à repressão a manifestações contra a crise econômica e política no país do Oriente Médio.
Trump afirmou estar em diálogo com Teerã para organizar uma reunião. O republicano alertou, porém, que pode ter que agir primeiro, uma vez que aumentam os relatos sobre o número de mortos no Irã e o governo continua a prender manifestantes.
— Acho que eles estão cansados de ser atacados pelos Estados Unidos. O Irã quer negociar — disse Trump, a bordo do avião presidencial, no trajeto entre a Flórida e Washington.
O presidente do parlamento iraniano alertou que Teerã atacaria instalações militares e navios americanos em caso de intervenção dos EUA.
Onda de protestos no Irã
Os protestos começaram em resposta a uma crise econômica já antiga no Irã, em grande parte resultado de sanções dos EUA e da Europa relacionados às ambições nucleares do país. No final de dezembro, a moeda iraniana despencou em relação ao dólar americano, em meio a uma inflação que ultrapassou 40% naquele mês, o que levou comerciantes e estudantes universitários à organização de manifestações.
Os atos têm sido realizados desde o final de 2025 e foram registrados em mais de 100 cidades em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.
No sábado (10), Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar". Segundo o The New York Times, o presidente dos EUA foi informado por membros de seu governo sobre opções disponíveis para um ataque militar, e segundo o Axios, ele considera diferentes alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.


