O ataque anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump à Venezuela, que culminou com a captura do mandatário venezuelano Nicolás Maduro neste sábado (3), teve repercussão mundial.
Confira algumas manifestações
Brasil
Em nota publicada nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura de Nicolás Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável".
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", escreveu.
Rússia
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou solidariedade ao "povo da Venezuela":
"Hoje de manhã, os Estados Unidos realizaram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso causa profunda preocupação e condenação.
Os pretextos apresentados para justificar tais ações são infundados. A abordagem ideologizada e tendenciosa prevaleceu sobre o pragmatismo empresarial, a disposição para construir relações de confiança e previsibilidade.
Na situação que se desenvolve, é importante, antes de tudo, não permitir uma escalada posterior, focar na busca de uma saída para a situação por meio do diálogo. Partimos do fato de que todos os parceiros, entre os quais podem existir reivindicações mútuas, devem buscar caminhos para resolver os problemas por meio de esforços de diálogo. Estamos prontos para apoiar isso.
A América Latina deve permanecer uma zona de paz, como tem sido desde 2014. O povo da Venezuela deve ter o direito garantido de determinar de forma independente o seu próprio destino, sem qualquer tipo de pressão externa, sem qualquer interferência de fora.
Apoiamos o povo amigo da Venezuela na sua aspiração de seguir o caminho de um desenvolvimento soberano e independente. Partimos do fato de que a comunidade internacional deve dar uma avaliação de princípios às ações dos EUA em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
A Embaixada da Rússia em Caracas continua a funcionar normalmente, levando em conta a situação, prestando a assistência necessária aos cidadãos russos e seus familiares na Venezuela. Não há informações sobre russos que tenham sofrido em resultado da agressão armada dos Estados Unidos.
Em outra nota, o ministério apelou para que Trump reconsidere a posição e liberte "o presidente legalmente eleito e sua esposa".
Argentina
O presidente argentino Javier Milei celebrou a captura de Nicolás Maduro com uma postagem na rede social X: "A liberdade avança: viva a liberdade, c***".
Colômbia
O presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que reuniu o Conselho de Segurança Nacional desde as 3h de sábado e repudiou o que chamou de "agressão à soberania da Venezuela e da América Latina". Confira na íntegra:
"Forças públicas estão sendo mobilizadas na fronteira e todos os recursos de assistência disponíveis estão sendo utilizados em caso de um fluxo maciço de refugiados.
A Embaixada da Colômbia na Venezuela está respondendo ativamente aos pedidos de assistência de colombianos na Venezuela.
Como membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, buscamos convocar o Conselho.
O governo colombiano repudia a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina.
Conflitos internos entre povos são resolvidos pacificamente pelos próprios povos. Este é o princípio da autodeterminação, que é o fundamento do sistema das Nações Unidas.
Exorto o povo venezuelano a buscar os caminhos do diálogo civil e da unidade. Sem soberania, não há nação. A paz é o caminho a seguir, e o diálogo entre os povos é fundamental para a unidade nacional. Diálogo e mais diálogo é a nossa proposta."
Chile
O presidente do Chile, Gabriel Boric, expressou "preocupação" e condenou os ataques ao país sul-americano.
"Fazemos um chamado para buscar uma saída pacífica à grave crise que afeta o país", escreveu na rede social X.
"Como Governo do Chile, expressamos nossa preocupação e condenação às ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e fazemos um chamado por uma solução pacífica para a grave crise que afeta o país.
O Chile reafirma sua adesão aos princípios básicos do Direito Internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados.
A crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio do multilateralismo, não por meio da violência ou da interferência estrangeira."
Cuba
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel, aliado da Venezuela, pediu que a comunidade internacional repudiasse o ataque ao país
"Nossa Zona de Paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América."
Espanha
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o governo do país acompanha "exaustivamente" os acontecimento na Venezuela.
"Fazemos um chamamento pela desescalada e à responsabilidade". Há de se respeitar o Direito Internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas".
Itália
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou a ação como "defesa" legítima dos Estados Unidos.
"O governo acredita que a ação militar externa não é o caminho para acabar com regimes totalitários, mas, ao mesmo tempo, considera legítima a intervenção defensiva contra ataques híbridos à sua segurança, como no caso de entidades estatais que alimentam e promovem o tráfico de drogas", afirmou, em comunicado obtido pela AFP.
Irã
Aliado-chave da Venezuela, o Irã condenou o ataque das forças americanas na Venezuela.
"A agressão militar dos EUA contra um Estado independente que é membro das Nações Unidas é uma violação grave da paz regional e internacional", disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã em um comunicado.

