
A onda de protestos que vem se expandindo no Irã já culminou na morte de mais de 500 pessoas, segundo um grupo de ativistas que monitora a situação. Após o aumento na adesão às manifestações, a internet foi cortada no país pelo regime do aiatolá Ali Khamenei.
Os atos têm sido realizados desde o final de 2025 e foram registrados em mais de 100 cidades em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.
As mobilizações ocorrem em meio a denúncias de violência policial. O grupo de direitos humanos HRANA afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização.
O país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter cortado a internet, então não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, porém, esta e outras ONGs de direitos humanos têm recebido relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes.
Reação
Na sexta-feira (9), a capital do país, Teerã, e outras grandes cidades passaram por uma segunda noite consecutiva de protestos. Autoridades ameaçaram tomar medidas contra os manifestantes. Khamenei afirmou que o governo “não recuaria” e chamou os participantes dos atos de vândalos que tentavam “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No sábado (10), Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”. Segundo o The New York Times, o presidente dos EUA foi informado por membros de seu governo sobre opções disponíveis para um ataque militar, e segundo o Axios, ele considera diferentes alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.
O presidente do parlamento iraniano alertou que Teerã atacaria instalações militares e navios americanos caso estes atacassem o Irã.
A agitação trouxe de volta alguma atenção para Reza Pahlavi, filho do xá deposto do Irã, que vive exilado nos EUA. Em um vídeo no sábado, ele incentivou os iranianos a participarem de protestos noturnos no fim de semana e convocou os trabalhadores de setores-chave, como petróleo e gás, a entrarem em greve. Durante os protestos, vídeos mostram manifestantes gritando pela volta de Pahlavi ao poder. Entretanto, especialistas questionam a dimensão do apoio do xá no país.
Motivação
Os protestos começaram em resposta a uma crise econômica já antiga no Irã, em grande parte resultado de sanções dos EUA e da Europa relacionados às ambições nucleares do país. No final de dezembro, a moeda iraniana despencou em relação ao dólar americano, em meio a uma inflação que ultrapassou 40% naquele mês, o que levou comerciantes e estudantes universitários à organização de manifestações.
Conforme os comícios cresciam, contudo, outras reivindicações surgiram. Nas redes sociais e na televisão, manifestantes foram vistos entoando slogans como “Morte ao ditador” e “Iranianos, levantem suas vozes, gritem por seus direitos”. Vídeos mostram milhares de pessoas marchando em Teerã.



