
O incêndio que atingiu um bar em uma estação de esqui na Suíça deixou mais de 40 pessoas mortas e outras 119 feridas na quinta-feira (1º). Segundo relatos de autoridades que acompanham o caso, o número de mortes chegou a 47.
A primeira vítima identificada foi Emanuele Galeppini, um italiano de 16 anos que praticava golfe. As queimaduras sofridas pela maioria dos presentes foram tão graves que as autoridades suíças disseram que pode levar dias até que sejam reconhecidas todas as vítimas.
O fogo começou por volta da 1h30min no horário local (20h30min de quarta-feira em Brasília) no bar Le Constellation, localizado na estação de esqui de Crans-Montana. O incêndio ocorreu durante uma festa de Ano-Novo.
O presidente da Suíça, Guy Parmelin, classificou o episódio como "uma das piores tragédias que nosso país já conheceu".

O que causou o fogo?
O incêndio, segundo relatos de testemunhas, começou quando velas de aniversário do tipo sinalizador colocadas em garrafas de champanhe encostaram no teto do bar. Essa também é a principal linha de investigação das autoridades.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram um foco de incêndio na espuma do teto do estabelecimento. O fogo se espalhou de forma muito rápida em fenômeno conhecido como flashover, que se caracteriza por uma propagação repentina das chamas.
Qual o número de mortos e feridos?
A atualização mais recente feita por autoridades suíças contabiliza mais de 40 mortos e 119 feridos, mas as informações ainda não são definitivas por se tratar de uma situação em curso. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que acompanha de perto os trabalhos, informou na quinta-feira que o número de mortos chegou a 47.
Segundo a polícia local, o fogo foi controlado rapidamente e pouco mais de três horas depois do incêndio, todos os feridos já tinham recebido os primeiros socorros. Um gabinete de crise foi instalado no centro de convenções de Crans-Montana para receber e orientar as famílias.
Sobreviventes foram levados a hospitais na Suíça e países próximos, como França, Itália e Alemanha. Mais de 150 profissionais de emergência estiveram ou estão envolvidos nas operações de resgate, além de 13 helicópteros e 40 ambulâncias.
Quem são as vítimas?
A primeira e única vítima identificada até esta sexta-feira (2) é Emanuele Galeppini, italiano de 16 anos. Nascido em Gênova, o adolescente vivia em Dubai com a família. A Federação Italiana de Golfe, a qual ele era afiliado, anunciou a sua morte e o descreveu como "um jovem atleta que personificava paixão e valores autênticos".
Entre os 119 feridos, 113 foram identificados, entre os quais o jogador francês Tahirys dos Santos, 19 anos, que atua pela equipe B do FC Metz. Autoridades suíças informaram a nacionalidade das pessoas que sofreram queimaduras e recebem tratamento neste momento:
- 71 da Suíça
- 14 da França
- 11 da Itália
- 4 da Sérvia
- 1 da Bósnia
- 1 de Luxemburgo
- 1 da Polônia
- 1 da Bélgica
- 1 de Portugal
- A nacionalidade de 14 pessoas ainda é desconhecida
O reconhecimento de todos os mortos pode levar dias, disseram autoridades suíças. O trabalho de identificação foi dificultado por conta do estado dos corpos. O Itamaraty informou que não há vítimas brasileiras.

Como é o local do incêndio?
Crans-Montana é uma das mais famosas estações de esqui de luxo do mundo. Fica em Valais, no sudoeste da Suíça. A região, a cerca de 1,5 mil metros de altitude, oferece vista para os Alpes suíços e tem, dentre outras atividades, restaurantes e bares sofisticados, como o Le Constellation.
O estabelecimento comercial tem capacidade para cerca de 300 pessoas em seu interior e outras 40 no terraço, segundo o site de Crans-Montana. Autoridades suíças não informaram quantas pessoas estavam no bar quando o incêndio aconteceu, mas o número máximo de clientes permitido será levado em conta na investigação.
O que disseram os responsáveis pelo bar?
Um dos proprietários do bar, Jacques Moretti, falou à imprensa nesta sexta-feira.
— Não conseguimos dormir nem comer, estamos todos muito mal — contou ao jornal 20 Minuten.
Sua esposa, Jessica, estava no local e sofreu queimaduras leves, mas foi liberada. O casal administra o bar desde 2015. Segundo ele o estabelecimento foi inspecionado três vezes nos últimos 10 anos.
O proprietário ainda afirmou que irá colaborar com as autoridades durante a investigação:
— Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar a esclarecer as causas. Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance. Nossos advogados também estão envolvidos.
A estação de esqui de Crans-Montana publicou uma nota lamentando a tragédia.
Como está a investigação?
Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, autoridades suíças disseram que os donos do bar Le Constellation foram interrogados. O conteúdo das discussões, no entanto, não foi comentado.
Na mesma ocasião, a procuradora-geral do Cantão de Valais, Beatrice Pilloud, argumentou que não pode dizer no momento se a espuma no teto do estabelecimento, onde pode ter havido um foco de incêndio, estava em conformidade com as normas ou não. O município de Crans-Montana era responsável pela inspeção.
O conselheiro estadual Stéphane Ganzer também afirmou que havia uma saída de emergência, mas a fuga seria difícil se o incêndio consumisse completamente o prédio. As investigações estão em curso e irão apurar cada um desses pontos.



