
Uma manifestante em Minneapolis, cidade do Estado de Minnesota, no meio-oeste dos Estados Unidos, segurava, nesta quinta-feira (8), uma placa em que se lia: "ICE kills" (ICE mata, em tradução direta). O protesto era contra a Immigration and Customs Enforcement (algo como Serviço de Imigração e Alfândega), uma agência federal norte-americana que tem sido usada pelo presidente Donald Trump, primariamente, para prender imigrantes.
A presença de cerca de 2 mil agentes da ICE já vinha gerando tensão em Minneapolis e arredores há alguns dias, mas a situação se agravou na quarta (7), quando um deles matou, a tiros, uma cidadã dos Estados Unidos identificada como Renee Nicole Good, 37 anos.
O governo Trump afirmou que o policial agiu em legítima defesa e que Renee era uma "terrorista doméstica" que tentou atropelar o agente, que teria ficado gravemente ferido. Um vídeo do ocorrido (veja abaixo) mostra que ela tentava se afastar dos policiais quando foi alvejada. O servidor supostamente atropelado recebeu atendimento em um hospital, mas já teve alta. O caso está sendo investigado pelo FBI.
A vice-governadora de Minnesota, a democrata Peggy Flanagan, classificou como "nojenta" a versão da Casa Branca, e acrescentou, em entrevista a um podcast:
— Está muito claro que a presença da ICE na nossa comunidade nos deixou muito menos seguros.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também rebateu o relato do governo e pediu que os agentes deixem a cidade. A mesma exigência estava presente em diversos cartazes nos protestos vistos após a morte de Renee.

A ICE foi fortemente mobilizada para o Estado, desde o começo de dezembro de 2025, por causa da comunidade de imigrantes somalis existente lá. Alguns deles foram alvo de ordens de deportação. Trump tem se referido a este grupo recorrentemente.
— Eu não os quero em nosso país — afirmou o presidente, acrescentando que a Somália "não presta" e "fede".
O que é a ICE?
Está claro que o uso desta força policial pela gestão Trump, e especialmente a truculência com que ela muitas vezes atua, gera forte controvérsia nos EUA, com opositores acusando o presidente de usá-la como uma força paramilitar comandada diretamente por ele.
Em Minneapolis, após a morte de Renee Nicole Good, protestos contra a presença da agência tomaram ruas. Nesta quarta, houve confronto entre manifestantes e policiais.
O site da Immigration and Customs Enforcement diz que ela foi criada em 2003 e tem um efetivo de mais de 20 mil pessoas, entre fiscais e pessoal de suporte. A página destaca que a atuação da ICE é "crítica para a aplicação da lei de imigrações contra aqueles que representam ameaça à segurança nacional". Segundo a imprensa americana, a quantidade de operações da ICE aumentou significativamente no atual mandato de Trump.
Um servidor da Casa Branca afirmou recentemente a um veículo de comunicação que a meta do governo era que cada uma das 25 delegacias da ICE fizesse 75 prisões por dia. Estimativas dão conta de que a agência mantinha, em 2025, quase 67 mil pessoas sob detenção.
Ataque à Venezuela
Os agentes da ICE têm poder de prender, mesmo sem mandado, suspeitos de estarem nos EUA ilegalmente, desde que tenham indícios razoáveis disso. Eles também podem deter e revistar pessoas que estejam cruzando a fronteira.
Por ser uma agência federal, sob a gestão do Departamento de Segurança Nacional, a ICE não responde a governos locais ou mesmo estaduais.











