Nascido e criado em Caracas, Nicolás Maduro Moros, 63 anos, fez do sindicalismo sua catapulta para chegar ao poder na Venezuela. Poder que acaba de deixar ao ser capturado por uma força-tarefa dos Estados Unidos, na madrugada deste sábado (3).
Foi uma longa e polêmica trajetória. Após concluir o Ensino Médio, Maduro virou motorista de ônibus vinculado ao sistema do metrô de Caracas e logo misturou atividades de militância sindical e em partidos de matiz socialista. Foi apoiador de primeira hora do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), que era liderado por Hugo Chávez, um tenente-coronel do Exército que tentou um golpe militar em 1992 e fracassou.
Chávez foi preso e Maduro ganhou fama pelo ativismo em favor da libertação do líder revolucionário. Deu certo. Com a libertação de Chávez e sua posterior chegada ao poder mediante uma eleição, em 1998, Maduro se elegeu sucessivamente deputado federal, foi depois nomeado chanceler e, por fim, ungido como nome mais poderoso do chavismo.
Com a morte de Chávez por câncer, no início de 2013, Maduro foi eleito presidente por uma pequena margem de votos, derrotando o opositor Henrique Capriles. Não saiu mais do poder. A receita para se manter incluiu programas populares de distribuição de renda aos mais necessitados, de moradias e de saúde.
As duas reeleições de Maduro (em 2018 e 2024) foram marcadas por acusações de fraudes, crises econômicas e isolamento internacional. O país também registra crônicas crises econômicas, que provocaram um êxodo. Mais de 20% dos venezuelanos deixaram o país na última década. A maioria buscou a Colômbia, mas o segundo destino mais procurado é o Brasil.
Maduro permaneceu no cargo apoiado pela maior parte das Forças Armadas e de milícias bolivarianas, o núcleo ideológico do chavismo. Gosta de vestir uniformes militares, de ser chamado de comandante (apesar de não ter formação militar) e de "presidente trabalhador". Evoca passado de vida simples em longas noites televisionadas com Cilia Flores, sua esposa, a quem chama de "primeira combatente".
Maduro enfrenta contra si duas ordens de prisão (nos EUA e na Argentina). E também uma investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI), de Haia. Conforme o Ministério Público do TPI, o presidente venezuelano executou plano sistemático de ataques, prisões e torturas contra adversários políticos. Os documentos da denúncia enumeram espancamentos, sufocamentos, afogamentos, choques elétricos e estupros com motivação política que teriam ocorrido na Venezuela. Opositores deixaram o país ou se esconderam. Entre eles, Maria Corina Machado, que acaba de ganhar o Prêmio Nobel da Paz e está refugiada na Europa.
O destino de Maduro, capturado por ordem do presidente norte-americano Donald Trump, é uma incógnita. Há possibilidade de que enfrente a mesma sina de Manuel Noriega, ex-ditador militar do Panamá, capturado pelos EUA em 1989.
Passou a maior parte da vida restante numa prisão norte-americana, depois foi extraditado para a França e devolvido ao Panamá, também para uma prisão. Morreu de câncer em 2017.


