
Uma autoridade do Irã afirmou à agência de notícias Reuters que pelo menos cinco mil pessoas morreram na maior onda de protestos do país desde a Revolução Iraniana de 1979. Segundo a agência, o oficial pediu para não ser identificado, mas acusou "terroristas e manifestantes armados" de matar "iranianos inocentes".
As manifestações no Irã começaram no fim do ano passado, se espalharam pelas 31 províncias, e mergulharam o país em uma tensão generalizada. O governo chegou a cortar o serviço de internet em todo o território para conter a crise, o que dificulta o acesso às informações sobre o país.
O estopim para a revolta foi a crise econômica constante. Em dezembro, o a inflação registrada chegou a 42% ao mês. Rapidamente, porém, as demandas se expandiram para pedir o fim do regime teocrático do Líder Supremo aiatolá Ali Khamenei, no poder desde a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989.
No sábado (17), Khamenei reforçou a posição de repressão aos protestos adotada desde o início.
— Não vamos arrastar o país para a guerra, mas não vamos deixar criminosos domésticos ou internacionais impunes —, afirmou.
— Pela graça de Deus, a nação iraniana deve quebrar a espinha dorsal dos sediciosos, assim como quebrou a espinha da sedição — acrescentou.
No domingo, o porta-voz do judiciário iraniano, Asghar Jahangir, também afirmou que poderá haver execuções de manifestantes.
A crise interna também se espalhou para o cenário global com os Estados Unidos afirmando que poderiam intervir no Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou "medidas muito severas", caso o país executasse manifestantes, enquanto o regime prometeu atacar bases dos EUA no Oriente Médio.
Ao longo da semana, porém, Teerã e Washington deram sinais de arrefecimento das tensões. Trump afirmou ter sido informado de que "a matança parou", com a suspensão de execuções.

