O governo do México anunciou nesta terça-feira (20) que entregou aos Estados Unidos 37 integrantes de organizações criminosas, em um contexto de pressão renovada de Washington para que soldados americanos entrem em território mexicano para combater os cartéis.
Cabisbaixos, algemados e vestidos com roupas de presidiário, alguns foram levados sob forte escolta de policiais e militares a bordo de um avião da Força Aérea Mexicana, segundo imagens divulgadas pela Secretaria de Segurança.
Esta é a terceira entrega desse tipo realizada pelo México desde 2025 e, com ela, já somam 92 os integrantes do crime organizado enviados aos Estados Unidos.
O anúncio ocorre pouco mais de uma semana depois de a presidente Claudia Sheinbaum ter dialogado sobre segurança com seu homólogo norte-americano, Donald Trump.
"A ação foi executada conforme a Lei de Segurança Nacional e sob mecanismos de cooperação bilateral, com pleno respeito à soberania nacional", disse no X o secretário de Segurança Pública, Omar García Harfuch.
"Foi estabelecido o compromisso de não solicitar (por parte da Justiça americana, ndr) a pena de morte" para essas pessoas, precisou.
Ele acrescentou que os membros de organizações criminosas foram levados a Washington, Houston, Nova York, Pensilvânia, San Antonio (Texas) e San Diego (Califórnia), a bordo de sete aeronaves militares.
Entre os chefes do crime entregues está Jorge Damián Román Figueroa, conhecido como "El Soldado", líder de "Los Malas-Mañas", grupo criminoso alinhado à facção Los Mayos do cartel de Sinaloa.
Também está Pedro Inzunza Noriega, conhecido como "El Señor de la Silla", pai de Pedro Inzunza Coronel, número dois do outrora poderoso cartel dos Beltrán Leyva, antigos aliados do grupo criminoso de Sinaloa e que era procurado pelos Estados Unidos por "narcoterrorismo".
- Pressão renovada de Trump -
Em 28 de fevereiro de 2025, em uma primeira entrega desde o retorno de Trump ao poder, o México enviou aos Estados Unidos 29 narcotraficantes, entre eles o veterano chefão Rafael Caro Quintero, procurado pelos Estados Unidos pelo homicídio do agente da DEA Enrique "Kiki" Camarena.
Naquele momento também foram enviados Miguel Ángel e Omar Treviño Morales, líderes da organização criminosa Los Zetas.
Durante uma segunda entrega, em agosto, o México enviou outros 26 indivíduos aos Estados Unidos, entre eles integrantes de "alto perfil" dos cartéis Jalisco Nova Geração e de Sinaloa.
Naquele momento foi enviado Servando Gómez Martínez, conhecido como "La Tuta", líder das organizações criminosas La Familia Michoacana e Los Caballeros Templarios.
O México enfrenta pressões renovadas do governo de Donald Trump para frear o tráfico de drogas para seu território, em particular o letal fentanil.
Na última ligação com Sheinbaum, Trump voltou a pressionar para que o México permitisse a entrada de tropas norte-americanas para combater os cartéis, ao que a mandatária se recusou, como em outras ocasiões.
Sheinbaum afirmou que seu governo obteve sucesso no combate ao crime organizado ao apontar uma redução de 50% das apreensões de fentanil na fronteira sul dos Estados Unidos, uma queda de 40% nos homicídios dolosos no México e a apreensão de 320 toneladas de drogas.
* AFP





