
O presidente dos EUA, Donald Trump, incentivou, nesta terça-feira (13), os manifestantes no Irã a manter o movimento e a derrubar as autoridades da República Islâmica, cuja repressão aos protestos deixou cerca de 2 mil mortos.
No âmbito internacional, o tom se endureceu. O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se "horrorizado" com a repressão, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que sanções serão propostas "rapidamente" em resposta ao número "aterrorizante" de mortos.
Espanha, França, Reino Unido, Finlândia, Dinamarca e Alemanha convocaram, nesta terça, diplomatas iranianos para expressar sua condenação à repressão aos protestos.
"Patriotas iranianos, mantenham as manifestações", escreveu Donald Trump em sua plataforma Truth Social. "Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que cessem este massacre sem sentido de manifestantes. A ajuda está a caminho", afirmou.
Na publicação, o republicano ainda recomenda que os iranianos "guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto".
Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente e, agora, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou que irá impor "imediatamente" tarifas de 25% aos parceiros comerciais da República Islâmica.
Embora a conexão telefônica internacional tenha sido restabelecida nesta terça-feira, os iranianos seguem sem acesso à internet desde 8 de janeiro, o que organizações de direitos humanos denunciam como uma tentativa de ocultar a magnitude do derramamento de sangue.
Onda de protestos

Os protestos começaram em resposta a uma crise econômica já antiga no Irã, em grande parte resultado de sanções dos EUA e da Europa relacionados às ambições nucleares do país. No final de dezembro, a moeda iraniana despencou em relação ao dólar americano, o que levou comerciantes e estudantes universitários à organização de manifestações.
Enquanto as organizações denunciavam um "massacre" contra os manifestantes, a polícia do regime Khamenei disse que "escalou" sua resposta aos protestos.
Nesta terça-feira (13), a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw disse que Erfan Soltani, manifestante iraniano de 26 anos, preso por sua participação nos protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, será executado na quarta-feira (14) pelas autoridades governamentais do Irã.
Ele foi preso no dia 8, e de acordo com a família, a sentença de morte é definitiva. Seus parentes afirmam também que o jovem não teve acesso a um advogado, nem direito à ampla defesa.


