
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, amanheceu neste domingo (4) em uma prisão em Nova York, após a incursão militar em que os Estados Unidos o capturaram e dizem ter assumido o controle desse país sul-americano, rico em petróleo.
Comandos militares prenderam Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, na madrugada de sábado (3), enquanto bombardeios caíam por mais de uma hora sobre alvos em Caracas e arredores, em uma operação que será discutida com urgência na segunda-feira (5) no Conselho de Segurança da ONU.
O líder esquerdista foi retirado do país com destino aos EUA, onde foi levado de helicóptero para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York. Ele enfrentará acusações de tráfico de drogas e terrorismo.
Ataque à Venezuela
Imagens divulgadas pelo governo do presidente Donald Trump mostraram Maduro algemado e de sandálias ao chegar a Nova York, enquanto era escoltado por agentes federais em uma instalação da Administração para o Controle de Drogas (DEA).
Com esta operação militar, Washington pôs fim ao terceiro mandato do líder venezuelano (2025-2031), com o qual ele acumularia 18 anos no poder.
No momento, não está claro quem assumirá a presidência da Venezuela, embora Trump tenha assegurado em uma coletiva de imprensa que os EUA vão "governar" o país sul-americano até que seja possível "realizar uma transição segura, adequada e justa".
Sem dar detalhes, ele indicou que o processo será liderado por membros de seu gabinete "em colaboração" com a oposição venezuelana.
Quem vai governar a Venezuela?
No entanto, Trump pareceu afastar a líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, de quem disse que "seria muito difícil para ela estar à frente do país".
— Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país — concluiu o presidente, a quem Machado dedicou o Nobel.
A líder opositora já havia dito que Edmundo González, que afirma que Maduro roubou a presidência nas eleições de 28 de julho de 2024, "deve assumir imediatamente" o poder.
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu na noite de sábado que a vice-presidente Delcy Rodríguez "assuma" as funções do "cargo de presidente da República".
A decisão descartou a ausência absoluta de Maduro, o que obrigaria a convocar eleições nos 30 dias seguintes, e parece contradizer as declarações de Trump, que afirmou que Rodríguez manifestou ao seu governo a disponibilidade para colaborar.
Foco no petróleo
O que Trump deixou muito claro foi sua intenção de incentivar as petrolíferas americanas a retornarem à Venezuela.
— Vamos fazer com que nossas empresas petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrem, invistam bilhões de dólares, reparem a infraestrutura gravemente deteriorada, a infraestrutura petrolífera, e comecem a gerar dinheiro.
A Venezuela, que está sob sanções petrolíferas dos EUA desde 2019, produz cerca de um milhão de barris de petróleo por dia e vende a maior parte no mercado ilegal com grandes descontos.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o solo venezuelano continha, em 2023, 303 bilhões de barris de petróleo, 17% das reservas mundiais.
A petrolífera americana Chevron já opera atualmente no país caribenho graças a uma autorização especial.
Libertação imediata
As explosões e sobrevoos que abalaram Caracas por volta das 2h de sábado (6h no horário de Brasília) foram o clímax de quatro meses de pressão militar contra Maduro, acusado formalmente em 2020 de tráfico de drogas pelos EUA, que ofereciam US$ 50 milhões por sua captura.
Os ataques foram dirigidos contra o Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, e uma base aérea, entre outros locais.
Eles se seguiram a uma série de bombardeios americanos contra barcos que supostamente transportavam drogas no Caribe, com um saldo de mais de uma centena de mortos.
Caracas amanheceu no sábado deserta e com cheiro de pólvora em vários setores. Para evitar saques, os comerciantes vendiam através das grades.
Policiais encapuzados e fortemente armados percorriam a cidade, enquanto cerca de 500 pessoas expressavam apoio a Maduro em frente ao palácio de Miraflores.
Em várias capitais do mundo, milhares de venezuelanos manifestaram alegria pela queda de Maduro, embora também expressassem dúvidas e medo.
Nenhum americano morreu, disse Trump à Fox. Mais tarde, ele disse ao New York Post que "muitos" cubanos que o protegiam perderam a vida.
Países aliados como Rússia, China, Irã e Cuba rejeitaram os ataques, assim como os governos de esquerda do Brasil, Chile, Colômbia e México. Moscou e Pequim exigiram a "libertação imediata" de Maduro.










