
O Poder Judiciário do Irã informou nesta quinta-feira (15) que Erfan Soltani, manifestante detido na última semana durante protestos contra o governo, não foi condenado à morte. Segundo ONGs internacionais e o governo dos Estados Unidos, ele seria executado pelas autoridades iranianas na quarta-feira (14).
O Irã é palco de manifestações que começaram devido à grave crise financeira, com o aumento do custo de vida e se ampliaram em um movimento contra o regime teocrático que governa o país desde a revolução de 1979.
Grupos de direitos humanos denunciaram que as autoridades iranianas vêm conduzindo a repressão mais severa em anos no país, aproveitando um corte de internet de mais de cinco dias. Dados de ONGs indicam que mais de 3 mil pessoas foram mortas até o momento.
Situação de Erfan Soltani
Soltani está preso em Karaj, perto de Teerã, sob acusações de propaganda contra o regime islâmico iraniano e de agir contra a segurança nacional, informou o órgão judiciário em comunicado divulgado pela televisão estatal.
O jovem "não foi condenado à morte" e, em caso de condenação, "a punição, de acordo com a lei, será uma pena de prisão, pois a pena de morte não se aplica a tais acusações", afirma o texto.
Tanto a Anistia Internacional quanto o Departamento de Estado norte-americano haviam declarado dispor de informações sobre o que seria a primeira execução de um manifestante e disseram que se tratava de Soltani.
O grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, informou que a execução por enforcamento do jovem estava marcada para quarta-feira, mas acabou sendo adiada.
Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), também sediada na Noruega, as forças de segurança iranianas mataram, durante os recentes protestos, pelo menos 3.428 manifestantes e prenderam mais de 10 mil pessoas, embora o balanço real provavelmente seja muito maior.
O Poder Judiciário do Irã havia anunciado na quarta-feira que implementaria julgamentos "rápidos" para os detidos nas mobilizações contra o regime.



