Com a captura de Nicolás Maduro ainda fresca na memória e a sombra de Donald Trump projetando-se sobre toda a América Latina, cinco nações preparam-se, mergulhados em incertezas, para o ritual das urnas este ano: Brasil, Colômbia, Costa Rica, Haiti e Peru.
Diferente de seu primeiro mandato, o Trump de 2026 atua com o peso de resultados práticos. O apoio a José Antonio Kast no Chile (eleito em dezembro de 2025) e as ações na Argentina e em Honduras mostram que o apoio da Casa Branca tornou-se um ativo eleitoral valioso.
Brasil - 4 de outubro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai disputar a reeleição. No campo da oposição, a direita, dividida, aposta em nomes de três governadores — Tarcísio de Freitas (Republicamos-SP), de São Paulo, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD-PR), do Paraná — e no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tenta herdar o espólio político do pai com uma agenda focada no mercado.
Peru - 12 de abril
Os peruanos buscam seu nono presidente em uma década, mergulhados em fragmentação política e crise. Pelo menos 34 candidatos disputam os despojos de uma democracia exaurida. Entre os nomes registrados estão Keiko Fujimori — filha do ex-presidente Alberto Fujimori — e o prefeito de Lima, Rafael López Aliaga — que se autodenomina "Trump dos Andes".
A segurança pública é a principal demanda do eleitorado nas pesquisas locais.
Colômbia - 31 de maio
Gustavo Petro encerra seu mandato impedido de concorrer à reeleição.

Enquanto a esquerda tenta se unir em torno de nomes como o senador Iván Cepeda, a oposição, liderada por figuras como Vicky Dávila e Miguel Uribe, cresce com a promessa de restaurar a "relação especial" com os EUA.
Donald Trump e Gustavo Petro, conversaram por telefone nesta quarta-feira (7). Foi o primeiro contato entre os líderes, após as ameaças de Washington de uma possível ação militar contra o país, informou a Chancelaria colombiana à AFP.
Haiti - 30 de agosto
No Haiti, a realização do pleito em agosto depende da estabilização da segurança interna, atualmente sob monitoramento de forças internacionais.
Costa Rica - 1º de fevereiro
Na Costa Rica, o processo sucessório de Rodrigo Chaves ocorre sob tensão entre o Executivo e o Tribunal Superior Eleitoral devido a investigações sobre interferência administrativa no pleito.
Política externa dos EUA

A política externa de Donald Trump para a América Latina tem se caracterizado pelo uso de sanções econômicas e apoio direto a candidaturas alinhadas a Washington.
A atual gestão Trump adota o que especialistas chamam de "Doutrina Donroe", uma atualização da Doutrina Monroe. A estratégia é baseada em três pilares:
- Uso do Tesouro como arma: em 2025, Honduras e Argentina receberam um fluxo de capital norte-americano condicionado a resultados favoráveis a candidatos alinhados a Washington nas eleições legislativas.
- A questão energética: a intervenção na Venezuela e o controle operacional sobre suas reservas de petróleo alteraram a dinâmica de preços no mercado internacional.
- Segurança e imigração: o governo Trump tem utilizado a ameaça de fechamento de fronteiras e deportações em massa como moeda de troca política com os governos da América Central e do Caribe.
Eleições de Meio de Mandato nos EUA (Midterms)
Em novembro de 2026, os eleitores americanos renovam a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. O resultado pode ser determinante para Trump manter a governabilidade ou se, caso saia derrotado, passará a ter dificuldades nas suas ações de intervenção.
Na terça-feira, em fala para os republicanos, Trump reforçou a importância do pleito de meio de mandato, pois, segundo ele, poderá ser alvo de um processo de impeachment pelos democratas em caso de derrota nas urnas.
— Vocês têm que vencer as eleições de meio de mandato porque, se não vencermos, vai ser assim — quero dizer, eles vão encontrar um motivo para abrir um processo um impeachment. Eu vou sofrer impeachment.





