
Membros da família do homem morto por agentes federais de imigração em Minneapolis, nos Estados Unidos, neste sábado (24), dizem que ele era um enfermeiro que trabalhava em unidades de tratamento intensivo no hospital do Departamento de Veteranos da cidade. Os familiares disseram que Alex Jeffrey Pretti, 37 anos, "se importava profundamente com as pessoas e estava chateado com a repressão à imigração do presidente Donald Trump em sua cidade".
A morte ocorreu menos de três semanas depois de a cidadã americana Renee Good ter sido baleada e morta por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) durante uma operação contra imigrantes irregulares.
Pretti, contaram os parentes, era um entusiasta de atividades ao ar livre que gostava de se aventurar com seu cão. O enfermeiro havia participado de protestos após o assassinato de Renee Good.
— Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que estava acontecendo em Minneapolis e em todo os Estados Unidos com o ICE, assim como milhões de outras pessoas estão chateadas. Ele achava terrível sequestrar crianças, apenas pegar pessoas na rua. Ele se importava com essas pessoas e sabia que era errado, então ele participou dos protestos — disse Michael Pretti, pai de Alex.
Pretti era cidadão dos EUA, nascido em Illinois. Assim como Good, registros judiciais mostraram que ele não tinha antecedentes criminais, e sua família disse que ele nunca teve nenhuma interação com a aplicação da lei além de algumas multas de trânsito.
Em uma conversa recente com o filho, seus pais, que moram no Colorado, disseram a ele para ter cuidado ao protestar.
— Tivemos essa discussão com ele há duas semanas ou mais, sabe, que vá em frente e proteste, mas não se envolva, basicamente não faça nada estúpido. E ele disse que sabia disso. Ele sabia.
Segundo a ex-esposa de Pretti, ele era um eleitor democrata e que havia participado da onda de protestos de rua após o assassinato de George Floyd por um policial de Minneapolis em 2020, não muito longe do bairro do casal.

Trump defende ação dos agentes da ICE
Em uma publicação na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a atuação dos agentes da ICE.
"Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho! 12 mil criminosos estrangeiros ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota", escreveu Trump.
O governo dos Estados Unidos insistiu que seus agentes agiram em legítima defesa enquanto buscavam "um estrangeiro em situação irregular procurado por agressão violenta" em uma "operação seletiva", segundo um comunicado.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) indicou no X que "um indivíduo se aproximou dos agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos com uma pistola semiautomática de 9 mm" e que seus agentes tentaram desarmar o homem, que "resistiu violentamente".
"Temendo por sua vida e pela vida e segurança de seus colegas, um agente efetuou disparos defensivos. Os paramédicos presentes prestaram atendimento imediato ao indivíduo, mas ele foi declarado morto no local", disse o DHS.
Investigação
O governador Tim Walz exigiu que as autoridades estaduais conduzissem a investigação.
— Não se pode confiar no governo federal para liderar esta investigação. O Estado vai assumir, ponto final — declarou em coletiva de imprensa.

Mais cedo, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, instou o presidente Donald Trump a pôr fim à operação federal anti-imigração.
— Este é o momento de agir como um líder. Coloque Minneapolis, coloque os Estados Unidos em primeiro lugar neste momento; vamos alcançar a paz. Vamos encerrar esta operação — destacou.
O presidente americano reagiu, acusando o prefeito de Minneapolis e o governador de Minnesota de "incitar a insurreição".
"O prefeito e o governador estão incitando a insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante", escreveu Trump, intensificando seu confronto com os dois governantes democratas.
O chefe de polícia, Brian O'Hara, disse que a situação após os disparos era "incrivelmente volátil" e pediu que os moradores evitassem a área.



