
A Groenlândia rechaçou o plano de ser anexada aos Estados Unidos, ideia que vem sendo defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na sexta-feira (9), o republicano citou uma negociação "do jeito fácil ou difícil" para anexar o território autônomo dinamarquês rico em minerais.
O presidente norte-americano afirma recorrentemente que o controle da Groenlândia é "crucial" para a segurança nacional dos Estados Unidos, devido ao aumento da atividade militar da Rússia e da China no Ártico.
Washington mantém uma base militar na ilha desde a Segunda Guerra Mundial.
— Quero fechar um acordo do jeito fácil. Mas, se não conseguirmos, vamos fazê-lo do jeito difícil. — afirmou Trump, durante reunião na Casa Branca com executivos da indústria do petróleo.
Após a declaração, durante a noite de sexta-feira, líderes dos cinco partidos do Parlamento da Groenlândia deixaram uma resposta clara a Trump: "Não queremos ser estadosunidenses, não queremos ser daneses, queremos ser groenlandeses".
O documento inclui assinaturas de quatro forças políticas que integram o governo e também o partido da oposição. "O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos groenlandeses", diz outro trecho.
Ideia não é bem aceita pela população
— Estadounidenses? Não! Fomos uma colônia durante muitos anos. Não queremos converter-nos de novo em colônia — assim se manifestou Julius Nielsen, um pescador de 48 anos, nas ruas de Nuuk, capital do território que foi a colônia dinamarquesa até 1953 e obteve sua autonomia 26 anos mais tarde.
Rivalidade com a Rússia e a China
A Casa Branca disse, sem excluir a opção militar, que o presidente refletiu "ativamente" sobre a ideia de comprar a ilha. Em qualquer caso, Trump afirmou que não permitirá que "Rússia ou China ocupem a Groenlândia".
Muitos dos países aumentaram sua atividade militar na região Ártica nos últimos anos, mas ninguém recuperou o vasto território, e tanto Nuuk quanto Copenhague rebateram o argumento de Trump.
— Não estamos de acordo com a ideia de que a Groenlândia estaria inundada de investimentos chineses — declarou esta semana o chanceler da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen.
Desde 1951, existe um acordo de defesa entre os Estados Unidos e a Dinamarca, que dava praticamente carta branca às forças norte-americanas no território da Groenlândia, com aviso prévio às autoridades locais.
A Dinamarca, incluindo a Groenlândia, é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e uma tomada norte-americana da ilha acabaria com a Aliança Atlântica e a estrutura de segurança posterior à Segunda Guerra Mundial, alertou a primeira ministra danesa, Mette Frederiksen.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reunirá na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e representantes da Groenlândia para falar sobre a situação.
Em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses se recusaram a formar parte dos Estados Unidos, segundo uma sondagem publicada na imprensa local. Só os 6% eram favoráveis a essa opção.
Onde fica a Groenlândia
Território fica próximo dos Estados Unidos, na área em branco do mapa.


