
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na noite deste domingo (4) que pretende buscar uma relação "equilibrada e respeitosa" com os Estados Unidos, um dia após o ataque norte-americano a Caracas e a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Delcy fez um apelo direto ao presidente dos EUA, Donald Trump, e disse que a prioridade de seu governo é evitar a escalada do conflito e trabalhar por uma agenda de cooperação com Washington e com outros países da região.
"Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os Estados Unidos e a Venezuela, baseada na igualdade soberana e na não interferência", escreveu.
Ataque à Venezuela
Segundo a presidente interina, esses princípios devem nortear não apenas o relacionamento com os Estados Unidos, mas também a política externa venezuelana de forma mais ampla. Ela afirmou ainda que o governo está disposto a dialogar dentro dos marcos do direito internacional.
Convite por cooperação
Na publicação, Rodríguez estendeu um convite formal ao governo dos EUA para a construção de uma agenda conjunta.
"Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura", afirmou.
A manifestação ocorre em meio a um cenário de forte tensão política e diplomática, após a operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na prisão de Maduro e em bombardeios em áreas estratégicas da capital venezuelana.
Quem é Delcy Rodríguez
Nascida em Caracas, Delcy tem 56 anos e é filha do fundador do partido marxista Liga Socialista, Jorge Antonio Rodríguez. Começou sua trajetória política em 2003, ainda no governo de Hugo Chávez. Após a chegada de Maduro ao poder, passou a ocupar cargos mais alto no Executivo.
Advogada especializada em Direito do trabalho, foi ministra da Comunicação e Informação, além de chanceler e presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que ampliou os poderes de Maduro em 2017.
Há alguns meses, somou à lista de funções o cargo de ministra do Petróleo, posto-chave num país com 17% das reservas mundiais, e sua influência se estendeu à gestão da economia e ao setor privado da Venezuela. Ela foi nomeada vice-presidente em junho de 2018.
Contexto de instabilidade
Rodríguez assumiu a presidência interina após ser reconhecida pela cúpula militar venezuelana, com base em decisão da Suprema Corte. A transição acontece enquanto a Venezuela enfrenta pressão internacional, debates sobre a legalidade da ação militar americana e reações divergentes de governos da América Latina e de potências globais.
Governos de esquerda de Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai se uniram para denunciar a operação militar, enquanto aliados de Trump na região, como Argentina e El Salvador, manifestaram apoio. Moscou e Pequim exigiram a "libertação imediata" de Maduro.
O Conselho de Segurança da ONU debaterá o caso em caráter de urgência nesta segunda-feira (5). A Organização dos Estados Americanos (OEA) fará o mesmo na terça-feira (6), em sua sede, em Washington.
Entenda o ataque dos Estados Unidos à Venezuela
Os Estados Unidos realizaram no último sábado (3) uma operação militar em território venezuelano que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação incluiu bombardeios em áreas estratégicas de Caracas e provocou uma escalada imediata da tensão política e diplomática no país.
Com a operação militar, Washington pôs fim ao terceiro mandato de Maduro (2025–2031), com o qual ele teria acumulado 18 anos no poder. Segundo autoridades venezuelanas ouvidas pelo jornal The New York Times, ao menos 80 pessoas morreram nos ataques, entre civis e integrantes das forças de segurança, número que ainda pode aumentar. O governo americano afirma que nenhum militar dos Estados Unidos morreu durante a operação.
A ofensiva é justificada por Washington com base em acusações de narcotráfico e terrorismo contra Maduro, que desde 2020 é apontado pelos Estados Unidos como chefe do chamado "cartel dos Sóis". Ao todo, seis pessoas do regime chavista são acusadas, entre elas a própria esposa de Maduro, Cilia Flores, e o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.









