
Completando o primeiro ano de seu segundo mandato nesta terça-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu uma coletiva de imprensa para fazer um balanço do período.
Em seu discurso, o republicano defendeu as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), criticou a ONU, destacou o desempenho da economia, além de falar sobre a Venezuela, a Groenlândia e a Otan.
Em meio a uma crise entre os Estados Unidos e os outros membros da aliança militar, Trump afirmou que foi quem, "fez mais pela Otan", segundo o g1.
— Ninguém fez mais pela Otan, e acho que a maioria das pessoas diria isso. Acho que você poderia perguntar ao Secretário-Geral sobre isso, mas nós já dissemos. Eu fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa, e vejo tudo isso, a Otan precisa nos tratar com justiça — discursou.
Questionado por um repórter sobre o quão longe iria para anexar a Groenlândia, o republicano respondeu:
— Vocês vão descobrir.
As relações internacionais têm sido marcantes neste segundo mandato de Trump até agora. Em 12 meses, o presidente dos EUA impôs um tarifaço global, ordenou ataques militares e ameaçou países parceiros.
Ataque aos imigrantes
Boa parte do discurso foi dedicada a criticar os imigrantes. O principal alvo foi a Somália.
— Dizem que é o pior país do mundo. Se é que pode ser chamado de país, eu não acho que seja um país — discursou.
O norte-americano apresentou fotos de imigrantes presos pelo ICE em Minnesota, acusando-os de crimes.
Expulsar do país todos os imigrantes ilegais foi uma promessa de campanha do republicano.
Até dezembro, os Estados Unidos contabilizaram 605 mil deportados, além de 1,9 milhão de "autodeportações" voluntárias.
Críticas à ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) também foi alvo do presidente norte-americano:
— Acabamos de criar o Conselho da Paz, que eu acho que vai ser incrível. Gostaria que as Nações Unidas pudessem fazer mais. Gostaria que não precisássemos de um Conselho da Paz. Mas as Nações Unidas, sabe, com todas as guerras que eu negociei, nunca me ajudaram em nenhuma.
Questionado, Trump confirmou ter convidado o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva a integrar o colegiado.
Na sequência, ele lembrou a disputa pelo Prêmio Nobel.
— Eu consegui reunir presidentes e primeiros-ministros. Discutimos. Nos demos bem. Eles gostavam de mim. Eu gostava deles. Cada um deles me indicou para o Prêmio Nobel. Em todas as guerras, entre muitas outras pessoas, fui indicado para o Prêmio Nobel — afirmou.
Economia e imprensa
Trump expressou sua frustração pelo fato de sua mensagem econômica não estar repercutindo entre os americanos, ao mesmo tempo em que exaltou suas realizações, particularmente a redução do déficit comercial e da imigração ilegal.
— Herdamos uma situação caótica. Os números que herdamos estavam subindo acentuadamente, e agora os reduzimos, quase todos eles, a níveis muito mais baixos — declarou o norte-americano.
Ele reiterou, então, que "a imprensa" não dá o devido crédito aos seus esforços.
Venezuela e Corina Machado
Na entrevista, Trump afirmou ter orgulho do ataque à Venezuela e disse que "adoraria" envolver a líder da oposição María Corina Machado na transição política do país.
Machado entregou a Trump sua medalha do Prêmio Nobel da Paz, que recebeu em dezembro.
— É uma mulher incrivelmente gentil que fez algo realmente incrível. Estamos conversando com ela, talvez possamos envolvê-la de alguma forma, eu adoraria — declarou.
A líder da oposição deixou a Venezuela para receber o prêmio em Oslo, em dezembro, com apoio dos Estados Unidos.
Desde então, ela tem demonstrado apoio irrestrito a Trump, que ordenou a derrubada do presidente Nicolás Maduro e sua transferência para Nova York, para enfrentar acusações de narcotráfico em um tribunal nova-iorquino, junto com a esposa, Cilia Flores.


