O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) em sua primeira aparição em um tribunal de Nova York, dois dias após sua captura em Caracas em uma grande operação militar dos Estados Unidos.
Perante o juiz Alvin K. Hellerstein, Maduro, de 63 anos, afirmou que é um 'homem decente" e que continua sendo "presidente da Venezuela". Ele é acusado de traficar cocaína para os Estados Unidos, assim como sua esposa, Cilia Flores, de 69. Ela também se declarou inocente.
Durante a sessão, o advogado de Maduro, Barry J. Pollack, afirmou que há "questões sobre a legalidade" da captura de seu cliente, classificada pela defesa como uma "abdução militar". Segundo Pollack, Maduro "é chefe de um Estado soberano e tem direito às prerrogativas" associadas a esse status.
O advogado disse ainda esperar uma disputa judicial "volumosa" na fase prévia ao julgamento para tratar desses questionamentos. Embora não tenha solicitado a libertação do presidente neste momento, a defesa reservou o direito de apresentar um pedido de fiança mais adiante.
A audiência também abordou a situação de Cilia Flores, esposa de Maduro e igualmente acusada no caso. O advogado dela, Mark Donnelly, informou que Flores enfrenta "questões de saúde que exigirão atenção", incluindo a possibilidade de fratura ou hematomas severos nas costelas, e solicitou que ela seja submetida a exames de raio X e a uma avaliação médica completa. Donnelly acrescentou que sua cliente, de 69 anos, pode precisar de acompanhamento físico mais detalhado.
Ao fim da sessão, foi registrado que tanto Maduro quanto Flores concordaram em permanecer detidos por ora, com a possibilidade de que pedidos de liberdade sejam analisados em momento posterior. Um representante do governo informou ainda que ambos foram colocados oficialmente sob custódia às 11h30min horário local de sábado, com chegada a Nova York às 16h31min horário local do mesmo dia.
O juiz Alvin K. Hellerstein determinou Maduro volte a comparecer a um tribunal federal dos Estados Unidos em 17 de março, ao encerrar uma audiência que durou cerca de meia hora.
Maduro e sua esposa foram transferidos para a corte sob forte escolta armada, por helicóptero e veículo blindado, da prisão para o tribunal em Nova York.





