
Envolta em uma crise internacional após o ataque dos Estados Unidos e a captura do então presidente Nicolás Maduro, a Venezuela, amanheceu nesta segunda-feira (5) com um novo parlamento. As eleições legislativas ocorreram em maio do ano passado.
Na ocasião, o partido governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) venceu em todos os Estados, exceto em Cojedes, e a coalizão de Maduro obteve 82,68% dos votos nas listas nacionais do Parlamento, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo chavismo.
Dos 285 deputados eleitos da Assembleia Nacional que tomaram posse hoje, 256 são leais a Nicolás Maduro. A maioria chavista, que tomou posse em Caracas, capital venezuelana, entoou "Força, Nico!" em apoio ao presidente deposto após operação militar dos Estados Unidos no sábado.
Ataque dos EUA
Na madrugada de sábado (3), aeronaves sobrevoaram a capital venezuelana, Caracas, e foram ouvidas explosões. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou, no início da manhã, que houve um ataque militar dos Estados Unidos na Venezuela e que o presidente Nicolás Maduro foi capturado.
Ataque à Venezuela
As primeiras explosões em Caracas foram ouvidas por volta das 2h locais (3h de Brasília). O governo venezuelano também divulgou que alvos militares foram atacados nos Estados de Miranda e La Guaira, assim como na cidade de Aragua, que fica a uma hora de Caracas.
Um dos alvos em Caracas foi o forte militar Tiuna, o mais importante do país. Na base aérea de La Carlota, blindados foram atacados.
Vice-presidente
A constituição venezuelana prevê que a próxima pessoa na linha sucessória é a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez.
Delcy recebeu, na noite de sábado, ordem do Tribunal Supremo de Justiça do país para exercer, de forma interina, por até 90 dias, os poderes de Nicolás Maduro, capturado e preso após ofensiva militar dos Estados Unidos.
Após o anúncio de seu nome, o governo norte-americano se disse disposto a trabalhar com o atual governo venezuelano, desde que tomadas as "decisões adequadas". O país não falou abertamente sobre as suas intenções em relação ao futuro da Venezuela, ficando claro que o seu objetivo essencial é o controle sobre o petróleo.
Ataque à Venezuela
O que os EUA alegam contra Maduro?
Após ser eleito para um segundo mandato, Donald Trump escalou os ataques verbais contra a Venezuela, acusando Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico. Em agosto, os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de US$ 50 milhões para a captura de Maduro.
Nos últimos meses, os Estados Unidos começaram a fazer ataques militares dentro do território venezuelano. Em um primeiro momento, foram atacadas embarcações que, segundo os Estados Unidos, transportavam drogas.
Em outubro, Trump autorizou a CIA, a agência de inteligência norte-americana, a realizar ações para derrubar o governo de Maduro.
— Não aos golpes de Estado dados pela CIA, que tanto nos lembram os 30 mil desaparecidos pela CIA nos golpes de Estado contra a Argentina (...) Até quando golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não os necessita e os repudia — disse Maduro na ocasião.
Onde está Nicolás Maduro
Nicolás Maduro deverá comparecer perante um juiz federal de Nova York às 14h desta segunda-feira (5), no horário de Brasília. Maduro foi capturado no sábado (3), em Caracas, durante uma operação conduzida por forças americanas. Após a ação, ele foi transferido para os Estados Unidos e permanece sob custódia federal em Nova York. O processo tramita no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, uma das principais instâncias do Judiciário americano para casos criminais de repercussão internacional.
Conselho de Segurança
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) está reunido para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que aconteceu no sábado (3) e culminou com a captura e prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.








