
Delcy Rodríguez foi empossada nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em uma operação militar, na madrugada de sábado (3).
Rodríguez era vice-presidente de Maduro e a primeira na linha de sucessão. É a primeira mulher a governar este país. A Suprema Corte ordenou que ela assumisse o cargo por 90 dias, prorrogáveis.
— Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos — disse Rodríguez em seu juramento.
— Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos — completou.
O irmão de Rodríguez, o chefe do Parlamento, Jorge Rodríguez, presidiu o ato de posse. O filho de Maduro, também deputado, Nicolás Maduro Guerra, segurou a Constituição sobre a qual a presidente interina prestou juramento.
Rodríguez afirmou que assume o cargo em "horas terríveis de ameaça contra a estabilidade e a paz da nação".
Militares prestaram honras à presidente interina ao final da cerimônia. A Força Armada reconheceu no domingo sua designação.
A posse também foi o tema tratado pela Assembleia Nacional eleita em maio de 2025, que iniciou suas atividades nesta segunda-feira.
Missão principal é trazer Maduro de volta, diz Rodríguez
Mais cedo, Maduro Guerra expressou seu "apoio incondicional" à presidente interina e também previu que "mais cedo ou mais tarde" seu pai e Flores "voltarão" à Venezuela.
— Conte comigo — disse o parlamentar, conhecido popularmente como "Nicolasito", a Rodríguez.
— A pátria está em boas mãos, papai, e em breve vamos nos abraçar aqui na Venezuela — exclamou, aos prantos.
A maioria absoluta da Assembleia Nacional reelegeu Jorge Rodríguez como seu presidente. Um dia antes, a presidente interina o encarregou de buscar a libertação de Maduro e Flores.
— Minha função principal nos dias que virão (...) será recorrer a todos os procedimentos, a todas as tribunas e a todos os espaços para conseguir trazer de volta Nicolás Maduro Moros, meu irmão, meu presidente — disse em seu discurso.
A sessão começou com o grito de "Vamos, Nico!", um slogan repetido na campanha eleitoral de 2024 de Maduro, cuja reeleição foi rejeitada pela oposição e pelos Estados Unidos, entre outros países.
Uma fotografia do casal presidencial foi exibida na tribuna de oradores do plenário, e o chefe da Câmara ordenou que uma flor vermelha ocupasse a cadeira de Flores.
Militantes do chavismo marcham no centro de Caracas.
Rodríguez defende relação "equilibrada" com os EUA
Na noite de domingo (4), Delcy Rodríguez afirmou que pretende buscar uma relação "equilibrada e respeitosa" com os Estados Unidos. Ela fez um apelo direto ao presidente dos EUA, Donald Trump, e disse que a prioridade de seu governo é evitar a escalada do conflito e trabalhar por uma agenda de cooperação com Washington e com outros países da região.
"Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os Estados Unidos e a Venezuela, baseada na igualdade soberana e na não interferência", escreveu.
Segundo a presidente interina, esses princípios devem nortear não apenas o relacionamento com os Estados Unidos, mas também a política externa venezuelana de forma mais ampla. Ela afirmou ainda que o governo está disposto a dialogar dentro dos marcos do direito internacional.
Na publicação, Rodríguez estendeu um convite formal ao governo dos EUA para a construção de uma agenda conjunta.
"Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura", afirmou.
Quem é Delcy Rodríguez

Nascida em Caracas, Delcy tem 56 anos e é filha do fundador do partido marxista Liga Socialista, Jorge Antonio Rodríguez. Começou sua trajetória política em 2003, ainda no governo de Hugo Chávez. Após a chegada de Maduro ao poder, passou a ocupar cargos mais alto no Executivo.
Advogada especializada em Direito do trabalho de formação, foi ministra da Comunicação e Informação, além de chanceler e presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que ampliou os poderes de Maduro em 2017. Há alguns meses, somou à lista de funções o cargo de ministra do Petróleo, posto-chave num país com 17% das reservas mundiais, e sua influência se estendeu à gestão da economia e ao setor privado da Venezuela.
Delcy foi nomeada vice-presidente em junho de 2018. Na ocasião, Maduro a descreveu como "uma jovem mulher, corajosa, experiente, filha de um mártir, revolucionária e testada em mil batalhas". Ao longo dos anos, ela se consolidou como uma das vozes mais duras do chavismo contra pressões internacionais.
Desde 2018, segundo o g1, ela é alvo de sanções impostas por diferentes países e blocos, como EUA e União Europeia (UE). As medidas incluem congelamento de ativos e restrições de entrada no Exterior. Em 2024, como ministra do Petróleo, ficou encarregada de gerenciar as crescentes sanções contra a indústria venezuelana.
Conforme a CNN, ela trabalha em estreita colaboração com seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Ele também é ex-vice-presidente da Venezuela e ex-prefeito de Caracas, considerado um dos principais articuladores políticos do regime venezuelano. Mas é Delcy que, após a captura de Maduro, emerge como figura central do chavismo.



