
Poucas horas depois do anúncio da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado (3), as Forças Armadas venezuelanas reconheciam Delcy Rodríguez como a nova mandatária interina do país. Herdeira do chavismo e nome de confiança de Maduro, Delcy será peça-chave na transição política venezuelana, ainda que a sua interação com o governo Trump seja uma incógnita por ora.
Nascida em Caracas, Delcy tem 56 anos e é filha do fundador do partido marxista Liga Socialista, Jorge Antonio Rodríguez. Ela começou sua trajetória política em 2003, no governo de Hugo Chávez. Com a chegada de Maduro ao poder, passou a ocupar cargos mais altos no Executivo. Hoje, é a primeira mulher a presidir a Venezuela.
Após o anúncio de seu nome, o governo norte-americano se disse disposto a trabalhar com o atual governo venezuelano, desde que tomadas as "decisões adequadas". O país não falou abertamente sobre as suas intenções em relação ao futuro da Venezuela, ficando claro que o seu objetivo essencial é o controle sobre o petróleo.
— Se não tomarem as decisões adequadas, os Estados Unidos manterão múltiplas alavancas de pressão para garantir a proteção de nossos interesses — disse o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, em entrevistas no domingo (4).
Ataque à Venezuela
Em mensagem conciliatória divulgada na mesma noite, Delcy Rodríguez convidou o presidente Donald Trump a “colaborar”. A presidente interina também disse que busca “relações respeitosas”. A declaração veio após discurso em que Delcy prometeu resistência feroz à ofensiva americana, e sinalizou uma mudança de tom depois de Trump afirmar que a presidente poderia ter "um destino pior" do que o de Maduro.
A postura conciliatória de Delcy após a derrocada do líder venezuelano, no entanto, não seria uma surpresa para a cúpula norte-americana. Publicações internacionais apontaram que, semanas antes da ação que culminou na captura de Maduro, autoridades dos Estados Unidos já haviam considerado o nome de Delcy aceitável. Em 2024, ela assumiu como ministra do Petróleo, ficando encarregada de gerenciar as crescentes sanções contra a indústria na Venezuela.
A atuação da agora interina na gestão da indústria petrolífera seria um dos pontos determinantes para a decisão. Isso porque, conforme publicações, o governo norte-americano teria sido convencido de que Delcy protegeria e defenderia futuros investimentos dos Estados Unidos na área de energia no país. Além disso, Trump não simpatiza com a líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado, que organizou campanha presidencial vitoriosa em 2024.
O mandato interino de Delcy Rodríguez tem duração de 90 dias, sendo prorrogável por outros três meses pela Assembleia Nacional. Caso seja declarada a falta absoluta de Maduro, a lei obriga a convocação de eleições nos 30 dias seguintes.
Entre os empresários, Delcy é vista como uma gestora aberta ao pragmatismo e até ao diálogo. O jornal New York Times chegou a apontá-la como o rosto moderado de uma eventual transição, ainda que posicionada ao chavismo de linha dura.
Na economia, a líder chavista estabilizou as contas da Venezuela após anos de crise. Também conseguiu aumentar gradualmente a produção de petróleo em meio ao endurecimento das sanções dos EUA, o que lhe rendeu o respeito frente ao país.










