
O chefe do judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou nesta quarta-feira (14) que haverá julgamentos rápidos e execuções para os detidos em protestos nacionais. Em alguns casos, manifestantes têm queimado imagens de Ali Khamenei, líder supremo do país.
A decisão ignora um aviso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou aos manifestantes que "a ajuda está a caminho". Na noite de terça-feira (13), um avião da Marinha norte-americano foi flagrado sobrevoando a costa do Irã.
Ainda nesta quarta-feira, o regime iraniano deve executar por enforcamento o manifestante Erfan Soltani. O jovem de 26 anos foi detido na última quinta-feira (8) próximo de sua casa e ficou desaparecido até domingo (11), quando as autoridades confirmaram sua prisão e anunciaram a sentença de morte por participar do protesto.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos EUA, disse que a repressão das forças de segurança às manifestações matou pelo menos 2.571 pessoas. Esse número supera em muito a quantidade de mortos de qualquer outro protesto ou agitação no Irã em décadas e lembra o caos em torno da Revolução Islâmica de 1979.
Também nesta quarta-feira, o Irã realizou um funeral em massa de 300 membros das forças de segurança mortos nas manifestações. Dezenas de milhares de enlutados compareceram, segurando bandeiras iranianas e fotos do aiatolá Ali Khamenei. Os caixões, cobertos com bandeiras iranianas, estavam empilhados. Rosas vermelhas e brancas e fotografias emolduradas de pessoas que foram mortas os cobriam.
Em outros lugares, as pessoas permaneciam temerosas nas ruas. Forças de segurança à paisana ainda circulavam por alguns bairros, embora a polícia anti-motim e membros da força paramilitar Basij, totalmente voluntária da Guarda Revolucionária, parecessem ter sido enviados de volta aos seus quartéis.
Os protestos
As manifestações contra o governo iraniano começaram em resposta a uma crise econômica já antiga no país, em grande parte resultado de sanções dos EUA e da Europa relacionadas às ambições nucleares de Teerã. No final de dezembro, a moeda iraniana despencou em relação ao dólar americano, em meio a uma inflação que ultrapassou 40% naquele mês.
A situação levou comerciantes e estudantes universitários às ruas. Após o aumento na adesão às manifestações, a internet foi cortada no país.
Conforme os atos cresciam, contudo, outras reivindicações surgiram. Nas redes sociais e na televisão, manifestantes foram vistos entoando slogans como "morte ao ditador" e "iranianos, levantem suas vozes, gritem por seus direitos".
O Irã é governado, desde 1979, por um regime islâmico. Naquele ano, o xá Mohammad Reza Pahlavi, apoiado pelos Estados Unidos, foi deposto pelas lideranças muçulmanas.




