
A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, disse que "chegou a hora da liberdade" após ataque militar e captura do presidente do país, Nicolás Maduro e de sua esposa, feito pelos Estados Unidos.
Em publicação na rede social X, a vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2025 disse que Maduro enfrenta a justiça internacional "pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos" de outros países (leia a íntegra).
Para ela, é hora de as soberanias popular e nacional "regerem nosso país".
"Hoje estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder. Permanecemos vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a Transição Democrática. Uma transição que nos necessita a TODOS."
Ela defende que Edmundo González Urrutia, candidato na última eleição, assuma a presidência:
"(...) aqueles que elegeram Edmundo González Urrutia como legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante em Chefe da Força Armada Nacional por todos os oficiais e soldados que a integram".
Quem é Maria Corina Machado
Maria teve uma detenção relâmpago durante protesto contra a posse de Nicolás Maduro, em 9 de janeiro, quando aliados afirmam que Machado foi interceptada violentamente e obrigada a gravar vídeos como “prova de vida”. Em fevereiro, ela denunciou uma tentativa de invasão à sua residência, em Caracas, por homens não identificados que ameaçaram vizinhos e o vigilante do prédio.
Proibida de disputar as eleições
Cotada para derrotar Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de julho de 2024, María Corina Machado foi impedida de concorrer pelo Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, alinhado ao governo chavista. A decisão, tomada em janeiro de 2024, a inabilitou por 15 anos para ocupar cargos públicos, sob alegações de irregularidades administrativas — uma medida amplamente criticada por organismos internacionais e governos estrangeiros.
Em julho de 2024, ocorreram as eleições presidenciais marcadas por denúncias de fraude eleitoral, nas quais o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo chavismo, proclamou a reeleição de Nicolás Maduro. A oposição, liderada por María Corina e pela Plataforma Unitária Democrática (PUD), apresentou documentos que indicariam a vitória de Edmundo González Urrutia, atualmente exilado na Espanha.
No entanto, impulsionada por essa proibição, ela se tornou a força motriz da principal coligação da oposição e um símbolo de esperança, coragem e perseverança para milhões de venezuelanos.
Desde então, o regime intensificou a repressão contra opositores. Machado denunciou uma “brutal onda de repressão”, com mais de 20 desaparecimentos e prisões em apenas 72 horas, incluindo aliados políticos e até mesários das eleições. A oposição acusa o governo de manter uma política de “porta giratória”, libertando seletivamente alguns presos políticos enquanto encarcera outros, como parte de uma estratégia de diplomacia de reféns.
A líder da oposição vive escondida na Venezuela desde então, negando rumores de exílio e reafirmando sua permanência no país. “Saben que estoy aquí en Venezuela”, declarou, em resposta às alegações de Maduro de que ela teria fugido para a Espanha.
A líder opositora também responsabiliza Maduro pela crise humanitária e migratória que levou cerca de um terço da população venezuelana a deixar o país. Em suas declarações públicas, Machado afirma que o regime chavista se transformou em uma “estrutura criminosa” que desestabiliza a região e representa uma ameaça à segurança internacional.
Maduro a chama de "velha decrépita da ideologia do ódio e do fascismo" e a acusa de querer "encher o país de ódio e violência".
Leia a íntegra da nota de Maria Corina Machado:
"Venezuelanos,
Chegou a HORA DA LIBERDADE!
Nicolás Maduro agora enfrenta a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações. Diante de sua recusa em aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei.
Chegou a hora de a Soberania Popular e a Soberania Nacional regerem em nosso país. Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa.
Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo.
Esta é a hora dos cidadãos. Aqueles que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Aqueles que elegeram Edmundo González Urrutia como legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante em Chefe da Força Armada Nacional por todos os oficiais e soldados que a integram.
Hoje estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder. Permanecemos vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a Transição Democrática. Uma transição que nos necessita a TODOS.
Aos venezuelanos que estão dentro do nosso país, estejam prontos para colocar em marcha o que muito em breve vamos comunicar através de nossos canais oficiais.
Aos venezuelanos que estão no exterior, precisamos de vocês mobilizados, ativando governos e cidadãos do mundo e comprometendo-se desde já com a grande operação de construção da nova Venezuela.
Nestes momentos decisivos, recebam toda minha força, minha confiança e meu carinho. Seguimos todos alertas e em contato.
A VENEZUELA SERÁ LIVRE!
Vamos de mãos dadas com Deus, até o final.
Maria Corina Machado
03 de janeiro de 2026".

