
As intervenções estatais contra os protestos que ocorrem no Irã deixaram cerca de 2 mil pessoas mortas, segundo informação fornecida nesta terça-feira (13) por um membro do governo iraniano à agência de notícias Reuters. A fonte ouvida chamou os manifestantes de "terroristas" e os culpou por mortes de cidadãos e agentes de segurança durante os protestos.
Também nesta terça, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar "horrorizado" com a repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos.
Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação no país estava "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.
O chanceler iraniano acrescentou que a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção.
Ameaças de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo (11) que o Irã entrou em contato com representantes americanos e propôs negociações após ele ameaçar agir em resposta à repressão a manifestações contra a crise econômica e política no país do Oriente Médio.
Trump afirmou estar em diálogo com Teerã para organizar uma reunião. O republicano alertou, porém, que pode ter que agir primeiro, uma vez que aumentam os relatos sobre o número de mortos no Irã e o governo continua a prender manifestantes.
— Acho que eles estão cansados de ser atacados pelos Estados Unidos. O Irã quer negociar — disse Trump, a bordo do avião presidencial, no trajeto entre a Flórida e Washington.
Onda de protestos
Os protestos começaram em resposta a uma crise econômica já antiga no Irã, em grande parte resultado de sanções dos EUA e da Europa relacionados às ambições nucleares do país. No final de dezembro, a moeda iraniana despencou em relação ao dólar americano, o que levou comerciantes e estudantes universitários à organização de manifestações.
No entanto, o número real de manifestantes mortos nos protestos pode ser ainda maior. Enquanto as organizações denunciavam um "massacre" contra os manifestantes, a polícia do regime Khamenei disse que "escalou" sua resposta aos protestos.
O país está isolado do resto do mundo, já que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ordenou a interrupção da internet considerando a evolução dos protestos, o que dificulta a confirmação do número real de mortes.
Além disto, o governo iraniano não está divulgando integralmente números oficiais da operação policial nos protestos e acusa os Estados Unidos e Israel de se infiltrar nos protestos, os culpando pelas mortes ocorridas nos movimentos.



